A Polícia Federal (PF) identificou e monitorou a saída de um grupo formado por dez brasileiros e um argentino que se alistaram nas Forças Armadas da Ucrânia para lutar na guerra contra a Rússia. O voo partiu na sexta-feira (8) do Aeroporto Internacional de Guarulhos para Istambul, na Turquia. De lá, o grupo seguiria para a Moldávia e, depois, para a Ucrânia.

Antes do embarque no voo TK0016, os brasileiros foram abordados e entrevistados por policiais federais, que tentaram convencê-los a desistir de seguir para o conflito em Kiev. Nenhum recuou. Não há proibição legal ao alistamento de cidadãos brasileiros em exércitos estrangeiros.

Segundo policiais envolvidos no monitoramento, cada voluntário recebeu cerca de US$ 3 mil (aproximadamente R$ 16 mil), além de uma carta de convocação emitida pelas Forças Armadas da Ucrânia. O documento traz orientações básicas sobre os procedimentos a serem adotados para chegar ao território ucraniano.

A carta, obtida pelo Bastidor, informa que o brasileiro foi selecionado para integrar a Brigada Mecanizada “Magura”, sediada em Kharkiv, uma das maiores cidades da Ucrânia. O texto solicita que, após a compra das passagens, o recrutado entre em contato, por meio dos aplicativos de mensagens Signal, Telegram ou WhatsApp com um militar ucraniano.

O Exército da Ucrânia oferece duas rotas de chegada ao posto de apresentação em Sumy. A primeira opção é viajar a partir da Polônia até Kiev de ônibus, trem ou carro. A segunda é seguir até a cidade fronteiriça de Medyka, na Polônia, e atravessar a fronteira a pé.

A PF acompanha o crescimento do número de brasileiros alistados em forças armadas de outros países, com o objetivo de registrar a presença desses voluntários em Kiev e facilitar eventuais identificações em caso de morte.

O Ministério das Relações Exteriores emitiu, em 30 de julho, um alerta recomendando que brasileiros recusem convites ou ofertas de alistamento voluntário. Segundo levantamento de janeiro de 2025, mais de dez brasileiros que participavam da guerra entre Rússia e Ucrânia morreram ou estão desaparecidos.

“A assistência consular, nesses casos, pode ser severamente limitada pelos termos dos contratos assinados entre os voluntários e as forças armadas de terceiros países”, informou o Itamaraty.