Credores estão descontentes com a proposta apresentada por Shell e Cosan, controladoras da Raízen, para reestruturar a dívida de 72,4 bilhões de reais da empresa de açúcar e etanol. Nesta semana, um grupo enviou uma carta às sócias pedindo medidas para reforçar o caixa e cobrir as obrigações da companhia.
Do total da dívida, 29,2 bilhões de reais estão em bonds. Uma pequena parte disso, 1 bilhão de reais, vence em 2027. Entre 2032 e 2037, no entanto, há uma concentração de vencimentos que soma 21,1 bilhões de reais. A Raízen também deve 29,4 bilhões de reais a bancos nacionais e internacionais, como Itaú, Santander, Bradesco, BNDES, JP Morgan e Bank of America.
No início do mês, a empresa informou prejuízo líquido de 15,65 bilhões de reais no terceiro trimestre da safra 2025/2026. Atribuiu o resultado à combinação de juros elevados, safras abaixo do esperado e investimentos que ainda não geraram retorno relevante.
Para reestruturar a dívida, Cosan e Shell chegaram a propor um aporte de 3 bilhões de reais. O plano previa, em seguida, a cisão da Raízen, com a separação dos negócios de etanol e distribuição, e a conversão de dívida em ações. Por fim, fundos geridos pelo BTG Pactual fariam um novo aporte de até 5 bilhões de reais, seguido por um follow-on, etapa em que os credores venderiam suas ações.
A proposta não agradou. Os credores enviaram a Shell e Cosan uma contraproposta, revelada pela Bloomberg. No documento, defendem uma oferta de ações da Raízen para sanear a companhia e um aporte adicional de até 12 bilhões de reais pelos controladores. A meta é levantar até 25 bilhões de reais com a operação.
Procurada, a Raízen preferiu não se manifestar.

