A Trígono Capital anunciou nesta terça-feira (20) que reduziu a menos da metade a participação acionária na Tupy. Segundo informe ao mercado divulgado pela metalúrgica, a gestora detém agora 4,98% das ações com direito a voto. A movimentação se dá em torno da disputa entre os acionistas contra a indicação do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, ao cargo de conselheiro da empresa.
As disputas internas na Tupy se arrastam desde o ano passado, quando o atual conselho de administração foi escolhido. Essa briga impactou o valor das ações, que passaram a despencar. Mas a Trígono não entrou na contenda. Em agosto, a gestora chegou a aumentar a participação que tinha, chegando a comandar 9,9% da metalúrgica, mas acabou voltando atrás agora em janeiro.
No fim de dezembro, o BNDES anunciou a saída de dois conselheiros indicados pelo banco para a entrada de Múcio e de Tiago Cesar dos Santos, número 2 da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. A troca incomodou os acionistas porque os indicados substituiriam dois funcionários de carreira do BNDES, com perfil técnico para a função.
Desde então, outra acionista minoritária, a gestora Charles River Capital, tem tentado impedir a formalização das indicações e solicitou a convocação de uma assembleia geral extraordinária, para alterar as regras de nomeações na empresa e dificultar a interferência política na Tupy. Para ter mais poder, o fundo foi na contramão da Trígono e aumentou o capital na metalúrgica.
Outros fatores de mercado também impactam o preço das ações, como a redução da demanda dos produtos da Tupy, como motores a diesel para caminhões. O mercado de veículos comerciais, que concentra boa parte dos clientes da metalúrgica, teve queda no ano passado.
Com esse cenário aliado à disputa política, o preço das ações da Tupy caiu 46,9%, em 2025. Os anúncios de Múcio e Santos, junto com a briga da Charles River, também fizeram a cotação ceder mais ainda. No último mês, a perda já é de mais de 6%.
Embora tenha origem na iniciativa privada, a Tupy, com sede em Santa Catarina, é controlada atualmente pelo BNDES e pela Previ, o fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil. Juntas, as duas entidades detêm 57% do capital da metalúrgica. Esta não é a primeira vez que o governo força a participação de membros da Esplanada na empresa. Em 2023, a ministra de Igualdade Racial, Anielle Franco, também foi alçada ao conselho da Tupy.

