Está marcada para o dia 13 de fevereiro a Assembleia Geral Extraordinária dos acionistas da Tupy. O encontro servirá como palco para uma disputa interna entre o governo federal e a gestora Charles River Capital, que pretende alterar o estatuto da metalúrgica para dificultar nomeações políticas na empresa.
A confirmação da data ocorreu nesta terça-feira (13). Em nota ao mercado, a Tupy informou que também realizará na assembleia a eleição do presidente e do vice-presidente do conselho de administração, e de um membro do conselho fiscal para complementar uma das cadeiras do conselho de administração.
A disputa entre os acionistas da Tupy começou depois que o BNDES decidiu indicar o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e o secretário-executivo da Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto, Tiago César dos Santos, para ocuparem vagas no conselho de administração da empresa. Ambos substituirão dois funcionários de carreira do banco, que saíram em dezembro.
A interferência do governo na Tupy ocorre porque a empresa, com sede em Joinville, no norte de Santa Catarina, tem o BNDES como maior acionista, seguido da Previ, o fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil. Juntas, as duas instituições somam 57% do capital com direito a voto na metalúrgica. Apesar disso, a empresa está listada na B3, com ações comercializadas normalmente.
A Charles River Capital detém apenas 5,36% das ações, mas reclamou das indicações feitas pelo BNDES. A gestora quer que o estatuto da Tupy seja alterado para permitir a indicação apenas de pessoas com perfil técnico às vagas no conselho de administração. O governo, contudo, resiste e tende a ganhar a queda de braço, por ter a maioria dos votos.

