O general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro em 2019 e demitido por ele no mesmo ano, está entre os nomes levados ao presidente Lula para substituir o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou ao Bastidor uma fonte com conhecimento direto das conversas.
Nas semanas que antecederam o segundo turno, Santos Cruz criticou em entrevistas o então candidato Flávio Bolsonaro. Disse que a interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras “já está ocorrendo” e afirmou que Flávio estava em “posição de subalterno” numa foto ao lado do presidente americano, Donald Trump. As declarações chegaram a Lula, que autorizou que o general fosse sondado. Santos Cruz ficou incomodado com o uso das declarações na propaganda eleitoral do petista.
Apesar de ter uma carreira militar respeitada, Santos Cruz não é consenso entre os comandantes das Forças Armadas. Também não é o preferido de Múcio. Entre 2007 e 2009, Santos Cruz comandou a força militar da missão de paz da ONU no Haiti, liderada pelo Brasil. Foi a fase mais pesada – e mais bem sucedida – do combate a gangues no país. Em 2013, a ONU o escolheu para comandar a força da missão na República Democrática do Congo, onde ficou até 2015. As tropas sob seu comando derrotaram o grupo rebelde M23, um avanço relevante no conflito. No governo Dilma Rousseff, foi assessor especial da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência.
O ministro José Múcio indicou a Lula Cinara Wagner Fredo, secretária-geral do Ministério da Defesa desde o ano passado. Outras duas mulheres citadas são a presidente do Superior Tribunal Militar, Maria Elizabeth Rocha, e a ex-ministra Simone Tebet.
O Bastidor procurou nesta sexta-feira (30), por telefone, o general Santos Cruz. Ele não comentou.