O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem evitado qualquer contato com a oposição e também com o governo para não se manifestar sobre os pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal, especialmente o que envolve Alexandre de Moraes. Parlamentares dos dois lados tentaram falar com o presidente do Senado por diferentes canais nos últimos dias, sem obter resposta.

As tentativas incluíram contato pela Secretaria-Geral da Mesa, pela assessoria de Alcolumbre e até pelo número de WhatsApp pessoal dele. Nenhuma dessas vias resultou em retorno até o momento. Alcolumbre está no Amapá, onde faz campanha ao lado de aliados que disputam eleições no estado.

Diante da falta de resposta, a oposição pede uma reunião de líderes para discutir o andamento dos pedidos de impeachment. A senadora Tereza Cristina, do PP de Mato Grosso do Sul, afirmou que também tentou agendar um encontro com Alcolumbre no sábado (12). Segundo ela, avisou previamente o presidente do Senado sobre uma coletiva que a oposição organizava para segunda-feira (14) e pediu uma conversa, mas não teve retorno. A senadora contou ter enviado uma mensagem a Alcolumbre e afirmou esperar que um possível encontro ocorresse nesta terça-feira (15).

O silêncio do presidente do Senado ocorre em um momento de pressão crescente da oposição. O senador Rogério Marinho, que acumula as funções de líder da oposição e de coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, afirma ter 61 assinaturas favoráveis a um novo pedido de impeachment de Moraes. Atualmente, 60 pedidos de impeachment contra Moraes estão parados na Presidência do Senado.

A resistência de Alcolumbre em pautar o assunto levou parte da oposição a ameaçar o funcionamento da Casa, propondo promover uma obstrução contínua sobre os trabalhos do Senado caso o presidente não dê andamento ao pedido de impeachment. O Senado só volta a trabalhar após o primeiro turno, em 4 de outubro.

A pressão sobre Alcolumbre ocorre em meio a uma crise institucional no STF. Em 1º de setembro, o ministro André Mendonça, relator do caso Master na Corte, retirou o sigilo de uma investigação sobre mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, além de dados sobre pagamentos feitos pelo Banco Master ao escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci, casada com o ministro. 

O material inclui um contrato de 131 milhões de reais entre o Banco Master e o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci. Mendonça determinou que os novos elementos fossem analisados pelo plenário do STF, que julga o caso nesta terça-feira (15), decidindo se abre ou não uma investigação formal contra Moraes.