Dois personagens do caso Banco Master que fecharam acordos de delação premiada recentemente aparecem na mesma sequência de operações com ações do Banco de Brasília, o BRB. Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, e João Carlos Mansur estiveram lado a lado em um negócio que movimentou quase 200 milhões de reais e terminou com Mansur como dono de 4,55% do banco público.

Mineiro é apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Daniel Vorcaro. Dono da Entre Investimentos e Participações, afirmou em sua colaboração ter feito remessas e movimentado dinheiro em espécie a pedido do banqueiro. Seu acordo com a Procuradoria-Geral da República já foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal. Mansur, fundador e ex-controlador da Reag, também fechou acordo de delação e forneceu informações sobre Vorcaro e as operações do grupo.

Os dois aparecem numa movimentação identificada pela investigação independente encomendada pelo próprio BRB. O relatório sigiloso, elaborado pelo escritório Machado Meyer com apoio da Kroll, apontou que investidores ligados ao ecossistema Master chegaram ao fim de 2025 com 23,5% do capital do banco. No início de 2024, essa participação era praticamente nula. O documento foi entregue à PF em abril e se tornou público nesta semana.

A entrada desse grupo teve participação do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O movimento ganhou força em julho de 2024, depois de fracassar o plano de ter a Fictor como investidora relevante no aumento de capital. Segundo o próprio Costa, foi nesse período que Vorcaro telefonou dizendo ter fundos interessados na operação e apresentou a Reag. A investigação também atribui ao então presidente participação na busca e na estruturação dos novos acionistas.

Um desses fundos era o Borneo, administrado e gerido por empresas da Reag e que tinha como beneficiários finais declarados os três filhos de Mansur. Em dezembro de 2024, o Borneo vendeu 22,1 milhões de ações do BRB ao fundo Celeno por 188,6 milhões de reais. Na outra ponta estava Mineiro. Segundo as informações apresentadas ao BRB, Antônio Freixo e Julia Freixo eram os beneficiários finais do Celeno. O fundo era administrado pela Master Corretora.

Pouco mais de três meses depois, em abril de 2025, o Celeno vendeu essas mesmas ações a João Carlos Mansur por 193,26 milhões de reais. Segundo a documentação analisada pela investigação, Mansur financiou a compra com recursos da Lumabe Participações, empresa da qual é sócio integral.

Na prática, as ações saíram de um fundo cujos beneficiários finais eram os filhos de Mansur, passaram por outro que tinha Mineiro entre seus beneficiários e terminaram nas mãos do próprio Mansur. A Kroll incluiu essa sequência entre as operações com “indícios de circularidade”.

O Bastidor procurou as defesas de Mansur e Mineiro na noite de sábado (12), mas não houve retorno.