A Federação União Progressista confirmou nesta terça-feira (4) que ficará neutra na eleição de 2026, decisão que retira do senador Flávio Bolsonaro apoio político e tempo de propaganda no rádio e na televisão. A decisão foi anunciada em convenção nacional do União Brasil e formalizada em nota oficial assinada pelo presidente da legenda, Antonio Rueda.

Na prática, a Federação União Progressista – formada por PP e União Brasil – libera seus diretórios estaduais para apoiarem o candidato que melhor se ajustar ao seus interesses locais. Em diversos estados, PP e União Brasil terão acordos com o PT e apoiarão Lula. Rueda afirma na nota que a posição reflete “a nossa maturidade política” da federação.

A neutralidade tem efeito direto sobre o tempo de propaganda de Flávio no rádio e na televisão. Com o apoio de União Brasil, PP e Republicanos, ele poderia alcançar cerca de 6 minutos e 50 segundos por bloco, quase o dobro dos 3 minutos e 43 segundos que caberiam a Lula nesse cenário. Isolado do Centrão, porém, Flávio deve ficar com 4 minutos e 20 segundos por bloco, contra 5 minutos e 32 segundos de Lula.

A neutralidade é um reflexo da mágoa do presidente do PP, senador Ciro Nogueira, com Flávio Bolsonaro. Ciro não perdoou a falta de apoio de Flávio quando a Polícia Federal revelou a extensão do relacionamento do senador com Daniel Vorcaro, do Banco Master – entre outras coisas, Ciro recebia uma mesada que variava de 300 mil a 500 mil reais mensais.

O Republicanos também decidiu, nesta terça, marcar distância da candidatura do PL e permanecer neutro na eleição. Em convenção na sede nacional, em Brasília, 17 integrantes da legenda votaram pela neutralidade, nove pelo apoio a Flávio e um pelo apoio ao presidente Lula.

O Podemos, que negociava aliança com o PL desde o início do ano, acabou decidindo também pela neutralidade. A presidente nacional do partido, deputada Renata Abreu, era cotada para a vaga de vice de Flávio, mas a executiva nacional optou por não declarar apoio a nenhum candidato ao Palácio do Planalto, e encerrou as negociações com o PL.

Problemas no Rio

No Rio de Janeiro, estado da família Bolsonaro, o União Brasil decidiu deixar a coligação com o PL e adotar neutralidade também na eleição estadual. Com isso, a federação abandonou o apoio ao deputado estadual Douglas Ruas, candidato do PL ao governo fluminense, que aparece empatado em segundo lugar com Anthony Garotinho, do Republicanos.

O rompimento foi motivado pela desistência do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, do União Brasil, de disputar uma vaga ao Senado na chapa de Flávio. Canella foi alvo no mês passado da Operação Unha e Carne, que investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis. Ele foi preso quando a Polícia Federal encontrou um fuzil em seu carro, durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão. Ele vai disputar a reeleição para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Antes da operação, Flávio chamava Canella de “amigo” e dizia apoiá-lo 100%. Depois da prisão, porém, determinou a retirada da mãe, Rogéria Bolsonaro, da primeira suplência do aliado, episódio que dirigentes do União Brasil citam como um dos motivos do afastamento. Com isso, o PL terá dois candidatos ao Senado pelo Rio de Janeiro: o senador Carlos Portinho e o deputado federal Carlos Jordy.