O vice-presidente do conselho de administração da Vale, Marcelo Gasparino, renunciou ao cargo na manhã desta segunda-feira (27). A decisão foi tomada quatro dias após o conselho da mineradora propor sua destituição, depois que uma investigação independente concluiu que ele vazou informações confidenciais de uma reunião do colegiado realizada em 19 de junho.

Desde a semana passada, Gasparino estava afastado de comitês internos dos quais participava, mas seguia formalmente como membro do conselho. Segundo a Vale, a renúncia terá efeitos a partir de 1º de agosto. A companhia também informou que, nos próximos dias, tomará as providências necessárias para recompor o colegiado.

O vazamento atribuído a Gasparino é o mesmo que veio à tona durante a disputa pela presidência do conselho. Informações internas discutidas pelo Comitê de Indicação e Governança chegaram a acionistas minoritários, que usaram o conteúdo numa consulta à Comissão de Valores Mobiliários sobre a candidatura de Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, o Ollie.

Gasparino disputou com Ollie a presidência do conselho na assembleia da quarta-feira (22), mas foi derrotado. Apoiado pela Previ, Ollie recebeu 1,97 bilhão de votos, ante 1,06 bilhão de Gasparino. Horas depois da votação, a Vale informou que a apuração conduzida por um escritório externo independente atribuiu o vazamento a Gasparino e o classificou como desvio de conduta.

A ofensiva da Previ sobre o conselho da Vale terminou com uma vitória parcial para o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. O resultado mostrou a força da Previ para influenciar o principal posto do conselho, porém o fundo perdeu uma cadeira no conselho. Com a saída de Gasparino, o fundo terá a oportunidade de indicar um substituto e recuperar o espaço perdido.