O dono da Copape, Mohamad Hussein Mourad, e seu sócio, Roberto Augusto Leme Silva, o Beto Louco, afirmam, em propostas de delação premiada obtidas pelo Bastidor, terem pago propina ao presidente do União Brasil, Antônio de Rueda, para atuar como articulador político do grupo em Brasília.
Nas propostas às quais a reportagem teve acesso, negociadas com o Ministério Público de São Paulo, ambos usam o termo “propina” para se referirem a pagamentos a Rueda. Os dois, no entanto, não especificam os valores pagos, não descrevem qualquer contrapartida pelas quantias e não identificam as pessoas a quem Rueda os apresentou.
De acordo com investigadores a par dos termos, os donos da Copape propuseram contar tudo o que sabem sobre Rueda e os negócios que fizeram com ele à Procuradoria-Geral da República. A PGR, contudo, recusou as propostas dos dois. Investigadores e interlocutores dos donos da Copape afirmam que os fatos descritos acerca de Rueda envolvem políticos com foro no Supremo. Daí a ausência de detalhes nas propostas oferecidas ao MP de São Paulo, obtidas pelo Bastidor.
Mohamad e Beto Louco afirmam que usavam serviços da Transportes Aéreos Piracicaba (TAP) de Epaminondas Madeira. Decidiram, então, comprar um avião, que seria alugado pela TAP quando não estivesse em uso por eles. Foi nessa circunstância que dizem ter conhecido Rueda. De acordo com as propostas de delação, Beto Louco ajudou Rueda a entrar nos negócios de locação de aeronaves da TAP.
A dupla afirma que Rueda já possuía, à época, uma aeronave operada pela Ricco Táxi Aéreo e que, posteriormente, por indicação deles, o avião foi transferido para a gestão da TAP. A dupla afirma que Rueda possui aviões em operação até hoje e que o dinheiro para comprá-los veio das propinas pagas pela Copape a ele — sem especificar os valores.
Após a aquisição da Copape, em 2020, Mohamad e Beto Louco passaram a usar aeronaves de táxi aéreo para se deslocar a Brasília, onde se reuniam com Rueda e com pessoas por ele indicadas. Os trechos da delação obtidos pelo Bastidor não esclarecem a natureza dessas reuniões nem seus desdobramentos.
A estrutura de aviação da Copape era operada pela TAP. Ao todo, eram pelo menos quatro aeronaves sob gestão da empresa: três jatos Citation CJ2 e um Gulfstream 150. Um Citation estava registrado em nome da própria TAP; os demais, assim como o Gulfstream, em nome da Aviacao Alta – Airlines Transportes, empresa então controlada por Epaminondas. A locação dos aviões gerava receita de cerca de 500 mil reais mensais para a dupla.
A primeira aeronave adquirida pelo grupo, o Citation CJ2 de prefixo PT-ASX, foi comprada em nome da TAP com recursos de um empréstimo do Fundo Mabruck, gerido pela Reag, gestora que foi acusado por Mohamad e Beto Louco de tentar dar um golpe neles. O próprio avião foi usado como garantia da operação. Os documentos não detalham os valores envolvidos nem esclarecem como o empréstimo seria quitado.
Mohamad e Beto Louco afirmam que Rueda usava com frequência essas aeronaves e que, após ser apresentado à TAP pela dupla, passou a adquirir aviões próprios e a colocá-los sob gestão da empresa.
Epaminondas Madeira foi procurado em 19 de maio, às 18h, mas não respondeu aos questionamento da reportagem.
Procurado pelo Bastidor, Antônio Rueda negou as afirmações que lhe são atribuídas nas propostas de delação. “O senhor Antonio de Rueda nega, de forma categórica, todas as afirmações atribuídas aos supostos colaboradores. As alegações são falsas e não correspondem à realidade. Ele não intermediou contatos em Brasília, não manteve relação comercial com os envolvidos, não possui nem jamais possuiu aeronaves e não recebeu qualquer valor do grupo econômico citado”, diz a nota enviada por sua defesa.

