A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entregou na segunda-feira (1) à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República uma segunda proposta de delação premiada. A primeira tentativa foi rejeitada pela PF em maio por omissão de nomes, situações e falta de elementos novos que contribuíssem para a investigação.

Na versão anterior, Vorcaro não mencionou que pagava mesada de 300 mil e 500 mil reais ao senador Ciro Nogueira; nem seus contatos com o senador Flávio Bolsonaro e seu gasto de 60 milhões de reais com o filme “Dark Horse”, que conta a trajetória política de Jair Bolsonaro; nem seus encontros com o ex-governador do Rio Cláudio Castro. Essas histórias foram descobertas pela Polícia Federal.

Logo após a primeira rejeição, o advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca, deixou a defesa do banqueiro. O advogado Sérgio Leonardo segue com Vorcaro e é o responsável pela nova tentativa.

O material será analisado por delegados federais e subprocuradores, que decidirão se seguem na negociação por um acordo. O acerto final terá de ser homologado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Entre as exigências da PF e da PGR para retomar a negociação está o aumento do valor de ressarcimento a ser pago por Vorcaro, de 40 bilhões para 60 bilhões de reais, como mostrou o Bastidor. Segundo pessoa próxima às negociações, a defesa aceitou o novo patamar. O prazo para o pagamento será negociado.

Outro desejo da Polícia Federal é que Vorcaro seja obrigado a revelar onde está o restante do seu patrimônio, para que seja usado como forma de ressarcimento aos cofres públicos. Há suspeita de que parte dos ativos de Vorcaro esteja em carteiras de criptomoedas, em paraísos fiscais no exterior, em imóveis e obras de arte ainda desconhecidos.