O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, desistiu nesta segunda-feira (29) de realizar acareação entre o presidente do liquidado Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos.
Toffoli colocou sob avaliação da Polícia Federal a necessidade de acareação entre os três. A PF, por sua vez, manteve os depoimentos para esta terça-feira (30) de Vorcaro, Paulo Henrique e Ailton de Aquino. As oitivas estão previstas para começar às 14h, horário de Brasília. Elas acontecem no âmbito do inquérito policial que investiga uma suposta fraude na venda do banco Master para o BRB.
O gabinete de Toffoli informou ainda que os depoimentos serão acompanhados por um juiz auxiliar e um procurador do Ministério Público. A medida é incomum, principalmente em casos do Supremo, e gerou um estranhamento por parte de delegados da PF ouvidos pelo Bastidor.
Os materiais apreendidos na operação Compliance Zero, deflagrada pela PF em 3 de setembro, e já periciados serão usados para confrontar os relatos de Vorcaro. Segundo pessoas ligadas a investigação, os delegados avaliam realizar os depoimentos de forma simultânea para evitar a combinação de versões.
A tentativa de compra do Master pelo BRB foi anunciada em março. O BRB, gerido pelo governo do Distrito Federal, pretendia investir 50 bilhões de reais para adquirir 49% das ações com direito a voto do Master. A compra foi rejeitada pelo BC. Em novembro, o BC determinou a liquidação extrajudicial do banco, simultaneamente a uma operação da Polícia Federal que prendeu Vorcaro por uma semana.