A repórter Sabrina Fonseca, do Bastidor, foi uma das várias jornalistas agredidas pela Polícia Legislativa da Câmara durante a retirada à força do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), ameaçado de cassação, que se recusava a sair da cadeira da presidência da Casa.

Braga afirmou que só deixaria o assento se o processo de sua cassação fosse retirado da pauta marcada para quarta-feira (10). Diante da resistência, agentes foram acionados pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, para retirá-lo. No momento da remoção, Motta determinou o esvaziamento do plenário e o corte na transmissão ao vivo da sessão pela TV Câmara.

Obrigados a sair os jornalistas se concentraram numa saída lateral do plenário, no Salão Verde, pois haviam sido avisados que Glauber seria retirado por ali e daria uma entrevista em outro local. A agressão começou quando o agente identificado como Marcelo Guedes Resende, da Polícia Legislativa, diretor da Coordenação de Segurança Orgânica, disse que Glauber não sairia por ali, mas pelo acesso principal ao plenário.

Os jornalistas perceberam o despiste, se recusaram a sair e questionaram Resende sobre a informação. Nesse momento, Resende se exaltou, começou a gritar “recuar, recuar” e passou a empurrar os repórteres, com violência, no que recebeu o apoio de outros policiais. Com a confusão e os empurrões, Sabrina caiu e outro repórter caiu sobre ela. Sabrina sofreu um pisão no tornozelo enquanto estava no chão.

Glauber foi retirado pelos policiais pela saída lateral , como sabiam os jornalistas. O policial legislativo Resende, obviamente, mentiu.

O episódio ocorreu na véspera da votação do processo disciplinar contra Braga, aberto após representação do Partido Novo por um caso de 2024, quando ele expulsou das dependências da Câmara um militante do MBL que o perseguia há meses. O Conselho de Ética já aprovou parecer pela cassação e a decisão final caberá ao plenário. Em abril, o parlamentar já havia feito outros protestos na Casa, incluindo a ocupação de uma comissão e uma greve de fome.

Deputados avaliam que a escalada do confronto reduz as chances de Braga reverter a perda do mandato. Após ser retirado, ele acusou a Presidência de agir com força desproporcional e seletiva, alegando que protestos semelhantes de outros grupos não receberam a mesma resposta.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, disse que a ocupação inviabilizou os trabalhos legislativos e afirmou ter solicitado apuração sobre possíveis excessos da Polícia Legislativa e sobre as denúncias de agressões à imprensa.

Em nota, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal afirmaram considerar “extremamente grave o cerceamento ao trabalho da imprensa e à liberdade e ao direito de informação da população brasileira. Mais grave ainda são os episódios de agressões físicas a profissionais da imprensa”.