As bets pagaram cerca de 3,8 bilhões de reais em impostos no primeiro semestre, segundo dados do Ministério da Fazenda divulgados nesta terça-feira (26). O número é inferior à previsão das empresas, que propagandearam uma arrecadação acima de 20 bilhões de reais até dezembro. Em termos de arrecadação de impostos, o Tigrinho está devendo.

O aumento na arrecadação e no número de empregos impulsionados pelo setor foram os principais argumentos usados pelas empresas para justificar a regulamentação pelo Congresso. O setor vinha funcionando de forma descontrolada desde 2018, quando o governo federal editou um decreto que abriu as portas para as bets. A legislação específica só saiu em 2023, com a fiscalização efetiva funcionando apenas em janeiro deste ano.

Além dos impostos, o governo arrecadou outros 2,2 bilhões de reais nas outorgas para as empresas poderem funcionar. Os valores anunciados excluem as plataformas irregulares, cujo impacto ainda é incerto – nas contas públicas e no orçamento das famílias.

Segundo o Ministério da Fazenda, 17,7 milhões de pessoas gastaram 17,4 bilhões de reais no primeiro semestre. Esse número exclui o que foi pago aos ganhadores, representando o montante real que as empresas tiveram de lucro bruto. Cada apostador gastou, em média, 164 reais por mês nas bets.

Como as plataformas regulamentadas são obrigadas a recolher os dados pessoais de cada apostador, foi possível também identificar o perfil de quem usa essas plataformas. Sabe-se que 71% são homens e que 67% das pessoas que apostam têm entre 18 e 40 anos.

Dados subestimados

Esse foi o primeiro levantamento que considerou dados reais da contabilidade das empresas do setor. Mesmo com movimentação financeira expressiva, os números podem ter sido subestimados. Em abril, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse à CPI das Bets que os gastos mensais dos brasileiros com as apostas poderiam chegar a 30 bilhões de reais. O BC analisou movimentações bancárias realizadas para paraísos fiscais, onde ficam boa parte das sedes das casas de apostas, e fez o levantamento a partir desses dados.

Como o tamanho do mercado irregular ainda é incerto, é possível que o gasto real das famílias seja maior do que o anunciado e que boa parte do dinheiro do setor ainda circule em plataformas ilegais, à margem da fiscalização. Outro problema é que o controle de acesso a essas plataformas ainda é precário, o que impede, na prática, um controle mais eficaz.

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