O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou nesta segunda-feira (18) o prefeito afastado de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima (Podemos), por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Além dele, outras nove pessoas devem responder pelos mesmos crimes, cujas penas somadas podem chegar a 18 anos de prisão.

Lima é apontado como chefe de uma quadrilha que atuou no município de 2022 até a deflagração da operação Estafeta, que levou ao afastamento dele do cargo por um ano. Também são alvos da denúncia o presidente da Câmara de Vereadores, Danilo Lima de Ramos (Podemos), o suplente de vereador Ary José de Oliveira (PRTB) e Paulo Iran Paulino, funcionário da Assembleia Legislativa de São Paulo e apontado como operador financeiro do esquema.

Segundo o Ministério Público, Lima desviava recursos por meio de empresas que mantêm vínculos com a Fundação ABC. Estima-se que o prejuízo causado aos cofres público seja de cerca de 17 milhões de reais, valor que os promotores pediram em ressarcimento à Justiça.

Na semana passada, os investigadores encontraram cerca de 12 milhões de reais em dinheiro vivo, escondidos em um quarto, no apartamento de Paulo Iran Paulino, além de documentos que indicavam possíveis depósitos bancários à primeira-dama de São Bernardo. Também havia no local o comprovante de pagamento de um cartão de crédito do prefeito.

A operação Estafeta não é o primeiro problema criminal de Marcelo Lima. O Bastidor mostrou no ano passado como ele concorreu às eleições sem poder se comunicar com dois dos principais aliados, devido a outra investigação relacionada a fraudes em contratos de recolhimento de lixo na cidade. Apesar das encrencas jurídicas, ele foi reeleito.