Resultados de pesquisas internas feitas pelo PT na Bahia fazem crescer os apelos para que o ministro da Casa Civil, Rui Costa, seja candidato ao governo do estado em 2026. Costa governou a Bahia por dois mandatos, de 2015 e 2022.

A mudança seria difícil, mas é incentivada por petistas na Bahia e em Brasília porque o atual governador do estado, Jerônimo Rodrigues, não lidera as pesquisas. Perde para o principal candidato da oposição, o vice-presidente do União Brasil, ACM Neto. A Bahia é fundamental para a reeleição do presidente Lula.

O plano inicial do PT era, como é natural, que Rodrigues fosse candidato à releição, com Rui Costa e Jaques Wagner candidatos ao Senado. O PSD, tradicional aliado petista na Bahia, ficaria sem espaço. O senador Ângelo Coronel seria prejudicado.

Impedir um governador de buscar a reeleição é coisa rara. O PT fez isso com Olívio Dutra em 2002, no Rio Grande do Sul, e perdeu a eleição. Para dificultar mais a conversa, Rui Costa e Jaques Wagner estão afastados. Mas a situação de Rodrigues faz o PT pensar em todas as alternativas.

O principal problema da gestão de Rodrigues é a segurança pública, um tema para o qual o PT não tem muito discurso nem propostas, inclusive no governo federal. Na semana passada, a Bahia apareceu como o segundo mais violento estado do país no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com 40 homicídios por grupo de 100 mil habitantes, um índice altíssimo. Para efeito de comparação, em São Paulo, o estado menos violento, este índice é de 8 por 100 mil.

Desde o dia seguinte à derrota para Rodrigues em 2022, ACM Neto faz oposição ferrenha à gestão. Há algum tempo, Neto explora a crise na segurança em vídeos postados diariamente.

A situação atual fez cair por terra entre os petistas o discurso de que ACM Neto também aparecia como favorito em 2022 e acabou derrotado. Ao contrário daquela eleição, quando Rodrigues era desconhecido e foi eleito na esteira de Lula, agora já é possível comparar sua gestão com a de antecessores.