O senador Flávio Bolsonaro, do PL, foi intimado pela Polícia Federal nesta segunda-feira (26) a entregar seus dois passaportes, o comum e o diplomático, em até 24 horas. A ordem é do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o STF, no inquérito em que Bolsonaro é investigado junto com seu amigo, o advogado Willer Tomaz, por suspeita de lavagem de dinheiro.

Em decisão publicada na sexta-feira (23), Moraes também retirou os passaportes de Willer Tomaz. Na ocasião, determinou também o bloqueio até 6 bilhões de reais em bens de Tomaz, além da quebra dos seus sigilos bancário, fiscal e cambial, e a paralisação das atividades de todas as suas empresas.

Tomaz e Bolsonaro são amigos e mantêm diversos vínculos. O senador e ex-candidato à Presidência pelo PL fez ao menos cinco viagens internacionais com o advogado, inclusive em aeronaves dele. Um e-mail obtido pela Polícia Federal mostra que Flávio Bolsonaro teve a posição de “usuário master” de uma conta no banco Santander da Alcazar Holding, empresa de Tomaz na Ilha da Madeira.

A intimação da PF foi relatada por Bolsonaro em um vídeo publicado nas redes sociais um dia depois do segundo turno da eleição presidencial, em que Flávio foi derrotado pelo presidente Lula. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio.

De acordo com o senador, a intimação ocorreu na manhã desta segunda-feira, em Brasília. Bolsonaro diz que saía da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no Jardim Botânico, em Brasília, quando encontrou agentes da PF na porta e foi intimado ali mesmo, na rua.

Bolsonaro disse que a decisão foi tomada na noite de domingo, logo depois da divulgação do resultado. Na versão dele, o fundamento foi uma declaração do irmão, Eduardo Bolsonaro, feita em 23 de outubro, segundo a qual ele deveria deixar o país se perdesse a eleição. O senador negou que tenha pensado em sair do Brasil. Disse que vai entregar os passaportes e que vai se defender do que chamou de “tentativa de intimidação”.

No mesmo vídeo, Bolsonaro, que não reconheceu a vitória do presidente Lula, anunciou que vai pedir à Justiça Eleitoral a cassação da chapa de Lula, sob o argumento de abuso de poder político e econômico. Disse ainda que vai reunir deputados e senadores eleitos para organizar a oposição no Congresso.