A Justiça de São Paulo deu 10 dias para o administrador judicial do Banco Santos, Vânio Aguiar, explicar gastos com empresas subcontratadas para prestar serviços ligados à gestão da massa falida e pagamentos adicionais com adiantamentos.

A decisão foi tomada na terla-feira (12) pelo juiz Paulo Furtado, da 2ª Vara de Recuperação Judicial e Falência de São Paulo, após determinação do Tribunal de Justiça, que atendeu pedido do espólio de Edemar Cid Ferreira, antigo dono do banco, que morreu em janeiro de 2024. Furtado determinou ainda que Vânio apresente nova proposta de remuneração. Argumentou que o volume de trabalho tem sido reduzido gradativamente porque a falência está no estágio final.

Vânio administra a massa falida de 3 bilhões de reais desde 2005. Ao longo desses 20 anos, os credores do Banco Santos receberam 2,6 bilhões de reais, enquanto o valor atualizado da dívida é de 16 bilhões de reais. O processo da massa falida é supervisionado pelo juiz Furtado desde 2014.

Os pagamentos foram feitos entre julho de 2018 e fevereiro de 2024. O espólio de Cid Ferreira afirma que alguns foram feitos a amigos e parentes do administrador judicial Um deles é referente à prestação de serviços de informática pela empresa Redrade, que recebeu pouco mais de 7,6 mil reais mensais durante 74 meses. Vânio afirmou à Justiça que essa contratação foi feita para reduzir custos e que a antiga prestadora, BV Computer, cobrava 7,8 mil reais mensais.

O espólio questiona também o motivo de Vânio ter decidido pelo parcelamento de IPTU devido pela massa falida no ano passado. Além dos pagamentos às empresas e do parcelamento de impostos, o espólio questiona gasto de 15 mil reais com a repatriação da escultura de mármore Romanus Togatus, cuja autenticidade é questionada.

O Bastidormostrou que a administração judicial do Banco Santos, desde que assumiu a gestão da massa falida, tem sido questionada pelos gastos registrados nos relatórios apresentados à Justiça e chancelados tanto pelo juízo falimentar quanto pelo Ministério Público.

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