O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, negou o pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e manteve para o próximo dia 30 uma acareação entre o presidente do liquidado Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Aílton de Aquino Santos.
Os três darão suas versões sobre a tentativa de venda do Master ao BRB, impedida pelo BC. A audiência ocorre em meio ao recesso do Judiciário.
No pedido negado por Toffoli, Gonet defendeu que realizar a acareação agora seria prematuro, dado o momento da investigação. Sustentou que não haveria contradições a serem esclarecidas e citou que o Código de Processo Penal prevê o uso do instrumento preferencialmente após o interrogatório dos investigados.
Toffoli, contudo, afirmou que já existem elementos suficientes nos autos para justificar o confronto de versões.
A tentativa de compra do Master pelo BRB foi anunciada em março. O BRB, gerido pelo governo do Distrito Federal, pretendia investir 50 bilhões de reais para adquirir 49% das ações com direito a voto do Master. A compra foi rejeitada pelo BC, devido a irregularidades no Master. Em novembro, o BC determinou a liquidação extrajudicial do banco. No mesmo dia, a Polícia Federal realizou uma operação que prendeu Vorcaro por uma semana.
Em novembro, a defesa de Vorcaro apresentou uma série de documentos do BC e do BRB para rebater argumentos que redundaram na liquidação do Master e para contestar a Operação Compliance Zero, que resultou em sua detenção. A defesa argumentou que o caso devia ser levado ao Supremo, o que foi aceito por Toffoli.

