O tenente-coronel Hélio Ferreira Lima admitiu ao juiz auxiliar Rafael Henrique Janela Tamai Rocha que produziu o documento intitulado “Op. Luneta”, encontrado em um pendrive apreendido com ele. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, o arquivo era parte de um plano para monitorar o ministro Alexandre de Moraes e dar um golpe de estado no Brasil.

O documento encontrado com Lima era uma planilha onde estavam descritas ações como a prisão de autoridades, a criação de gabinetes estaduais para a administração do governo militar e a garantia de apoio jurídico para o golpe. Havia ainda detalhes sobre eventual aumento de fiscalização nas fronteiras.

Lima afirmou que o documento foi produzido como uma ferramenta de inteligência, prevista nos manuais do Ministério da Defesa. Segundo ele, o arquivo não se tratava de uma operação, mas de um “plano operacional”, que poderia ser posto em prática, caso o Exército tivesse encontrado algum tipo de fraude nas eleições de 2022 – o que não aconteceu. Lima disse que o documento apreendido era apenas um esboço, que foi descartado em dois dias.

O militar afirmou que esse documento traçava cenários prospectivos de como se deveria agir e era endereçado aos superiores. De acordo com Lima, não havia a menor possibilidade de ele próprio colocar um plano em operação.

Ele disse que o documento foi produzido imaginando-se a escalada dos protestos que haviam se espalhado nas portas dos quartéis do Brasil após a derrota de Jair Bolsonaro. No caso específico dele, o cenário analisado se tratava apenas do Rio Grande do Sul, onde servia, não tendo utilidade para aplicações em outros locais.

No depoimento, ele garantiu que nunca mostrou o documento a nenhum superior. Também disse que a menção a Alexandre de Moraes se deu apenas no contexto de que o ministro, à época, presidia o Tribunal Superior Eleitoral . Afirmou que, se tivesse mostrado a algum superior, provavelmente teriam dito a ele para retirar menções a pessoas e trocá-las por instituições.

Ainda de acordo com Lima, mesmo que houvesse a intenção de colocar em prática o plano operacional, seria necessário o aval de vários superiores, o que inviabilizaria qualquer formação de grupo ilegal para aplicar o golpe com base no planejamento montado por ele.

A denúncia também afirmou que Lima esteve em Brasília para monitorar autoridades. Além de Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria um dos alvos. O tenente-coronel negou e disse que foi à capital federal apenas para visitar os dois filhos mais velhos, que estudam na cidade.

Nessa viagem, reconheceu ter se encontrado com o general Walter Braga Netto, ex-candidato a vice-presidente e também réu pela tentativa de golpe. Segundo ele, a reunião ao militar foi rápida e não foi tratado nenhum assunto ilegal.