No domingo, dia 9, quem entrasse no restaurante Amado, em Salvador, encontraria no ambiente descontraído uma escalação de autoridades difícil de reunir: o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal; o ministro da Casa Civil, Rui Costa; o líder do governo no Senado, Jaques Wagner; o vice-governador da Bahia, Geraldo Júnior; e o prefeito de Salvador, Bruno Reis, além de autoridades do Judiciário baiano. Quem os visse poderia pensar que estavam lá pelo show da cantora Ivete Sangalo, a mais famosa de todos os presentes.
Mas não. Todos, inclusive Ivete, estavam lá para o aniversário de um magistrado – no caso, o desembargador José Rotondano, conselheiro do CNJ, candidato a presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) para o biênio 2026-27, na eleição que acontece nesta quarta-feira (19).
O tamanho e o timing da festa chamaram a atenção do Judiciário baiano — não só pelo peso político dos convidados, mas pelo custo do evento em si. De acordo com relatos obtidos pelo Bastidor, o buffet do Amado, um dos mais caros da cidade, custa cerca de 800 reais por pessoa. Com os mais de 300 convidados, a conta ultrapassa os 240 mil reais. Um bolo equivalente ao consumido, encomendado separadamente, custa cerca de 800 reais. Não entram na conta as bebidas consumidas.
Rotondano é apontado como o principal candidato ao cargo e tem costurado apoio entre magistrados e grupos influentes da Corte, muitos deles presentes no evento. O que provocou ruído, porém, foi o fato de que ninguém, nem mesmo o desembargador, revelou quem pagou pela comemoração.
Na sexta-feira (14), ao ser questionado pelo Bastidor sobre quem pagou pela festa, o desembargador riu e encerrou a ligação, sob pretexto de que iria entrar em sessão no tribunal. A reportagem insistiu numa explicação na segunda-feira (17). “Reitero que comemorei meu aniversário como o faço todos os anos, para reunir amigos e familiares”, disse. “Qualquer especulação de que houve financiamento por empresas ou algo do gênero é uma informação falsa. Tenho toda a documentação devidamente arquivada.”
O Bastidor perguntou, pela terceira vez, se o desembargador poderia declinar quem pagou a festa. Até a tarde desta terça, não houve resposta.
A reportagem também acionou profissionais e fornecedores que trabalharam na festa. Nenhum deles aceitou informar quem contratou o serviço ou arcou com a despesa. Assim como o magistrado, todos evitaram confirmar valores, empresas envolvidas ou qualquer detalhe financeiro da comemoração, alegando sigilo contratual.
Como membro Conselho Nacional de Justiça, Rotondano deveria aplicar o que o cargo lhe impõe: transparência. Mas não foi isso que fez ao se esquivar e não revelar quem pagou pelo festão.
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