A retomada das investigações do caso do Banco Master, sob condução do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), consolidou a permanência do inquérito na Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores da Polícia Federal (Cinq), ligada à Diretoria de Combate à Corrupção. A decisão contraria o padrão de distribuição de investigações adotado na atual gestão da PF.
Segundo duas fontes da corporação ouvidas pelo Bastidor, na gestão de Andrei Rodrigues casos considerados sensíveis —como o do Banco Master, que envolve autoridades com elevado poder econômico e cita ministros do Supremo — costumam ser conduzidos pela Diretoria de Inteligência Policial (DIP). Desta vez, porém, a investigação está longe da área de inteligência.
De acordo com relatos de policiais federais, ao menos três fatores justificariam a manutenção do sistema de o caso Master ser investigado pela Diretoria de Inteligência Policial: a citação direta aos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes; o risco de tentativa de cooptação de servidores, devido ao alto poder financeiro dos investigados; e a exposição dos delegados responsáveis pela apuração por decisões de Dias Toffoli, que saíam do curso normal das investigações.
Apenas um fator justifica a permanência do Master na Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores: afastar o caso das mãos de policiais próximos ao ministro Alexandre de Moraes.
Logo após assumir a relatoria do caso, o ministro André Mendonça tomou uma decisão que alterou a dinâmica interna da investigação: proibiu que delegados compartilhem informações sigilosas, até mesmo com seus superiores hierárquicos. Os delegados devem falar com o próprio ministro. Na prática, a medida reduz a circulação de dados sensíveis dentro da própria Polícia Federal.
Em primeiro plano, limita o fluxo de informações para a Diretoria de Inteligência Policial, que normalmente recebe dados mínimos para subsidiar análises de inteligência em investigações de grande repercussão e com muitos atores políticos. Em segundo plano, restringe o acesso do próprio diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que é informado sobre operações apenas às vésperas de sua deflagração.
A preocupação sobre os vazamentos internos decorre, em parte, da proximidade entre Alexandre de Moraes e ao menos três delegados da DIP, construída ao longo dos inquéritos das fake news e da tentativa de golpe de Estado de 2022.
Esse vínculo ganhou novo capítulo recentemente, quando Moraes convidou o delegado Fábio Shor, responsável pela investigação que levou ao indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, para atuar em seu gabinete no Supremo. A ida gerou estranhamento entre os delegados, que acham que Shor deveria submergir após o término de um inquérito tão ruidoso, no qual foi muito exposto. Ainda não está claro qual será o papel de um delegado da Polícia Federal no gabinete do ministro.
Outro episódio que provocou desconforto na corporação foi a informação de que Moraes trocou mensagens com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no dia da prisão do banqueiro. As mensagens aparecem em um laudo técnico produzido pela própria Polícia Federal. A negativa de Moraes sobre a existência dessas conversas abriu questionamentos internos sobre a interpretação de elementos do inquérito por vazamento.

