A Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, condenou na terça-feira (3) a Reag a uma multa de 750 mil reais por falhas recorrentes nos controles internos. Ramon Pessoa Dantas, ex-diretor da administradora de fundos, também foi condenado a pagar 375 mil reais. As duas multas somam 1,125 milhão de reais.

A Reag foi liquidada pelo Banco Central em janeiro por graves violações às normas do sistema financeiro e é investigada por envolvimento nas fraudes do Banco Master. Segundo as investigações, o banco de Daniel Vorcaro usou fundos da gestora para movimentar bilhões de reais em operações fraudulentas.

Entre os fundos relacionados ao processo julgado pela CVM está o Hans 95, que negociou CDBs do Master e também aparece nas investigações da Operação Carbono Oculto, sobre lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. O julgamento, porém, não trata das suspeitas de fraude no banco de Vorcaro, mas de irregularidades identificadas antes de o escândalo vir a público.

A fiscalização encontrou informações erradas ou incompletas sobre os investimentos, a liquidez dos ativos e a identidade de grandes cotistas. A Reag também deixou de realizar ou apresentar testes para avaliar se os fundos teriam condições de pagar resgates em situações adversas. Para a CVM, as falhas eram recorrentes e revelavam deficiências nos controles da administradora.

A condenação de Ramon dividiu o colegiado. O presidente da CVM, Otto Lobo, e a diretora Marina Copola acompanharam o voto do relator, Igor Muniz. João Accioly concordou com a punição da Reag, mas defendeu a absolvição do ex-diretor. Para ele, a acusação não demonstrou uma conduta concreta que justificasse a responsabilização pessoal do executivo.

A Reag e Ramon negaram as irregularidades. Alegaram que os problemas foram pontuais, que parte das falhas cabia a prestadores de serviços e que os fundos não tiveram dificuldades para pagar resgates. O ex-diretor também sustentou que a CVM não comprovou sua participação direta nas irregularidades.

A decisão reforça o cerco da CVM à Reag. Nos últimos meses, a autarquia rejeitou propostas de acordo do fundador da gestora, João Carlos Mansur, e dos ex-diretores Rodolfo Turelli e Fabiana Franco, acusados em outros processos de falhas na divulgação de informações financeiras.