Venceu às 11h desta terça-feira (27) o prazo de 24 horas dado pela Polícia Federal, a PF, para que o senador Flávio Bolsonaro, do PL, ex-candidato à Presidência, entregasse seus dois passaportes, o comum e o diplomático. Como ele não o fez e há informações de que foi visto na Argentina, Flávio Bolsonaro é considerado foragido.
A primeira informação da fuga de Bolsonaro foi dada durante a madrugada pelo site de notícias argentino Infobae. A reportagem afirma que Bolsonaro embarcou em um avião privado em Puerto Iguazu, cidade do lado argentino ligada por uma ponte a Foz do Iguaçu, no Paraná. A Polícia Federal cancelou os passaportes de Bolsonaro.
Segundo informações preliminares, Bolsonaro cruzou a fronteira com a Argentina sem passar por um posto oficial de controle migratório. De lá, embarcou em Puerto Iguazú num jato Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, com destino à Flórida, nos Estados Unidos, onde seu irmão Eduardo vive desde fevereiro de 2025. O trajeto foi revelado pelo Infobae.
A PF avalia pedir ao Supremo a prisão de Flávio Bolsonaro e a inclusão de seu nome na difusão vermelha da Interpol, que monitora fugitivos pelo mundo. Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o STF, relator de um inquérito em que Bolsonaro e seu amigo, o advogado Willer Tomaz, são investigados por lavagem de dinheiro, havia proibido o senador de sair do país e determinado que ele entregasse os passaportes à PF em 24 horas. Moraes afirmou que tomou a decisão por dois motivos: o fato de Tomaz estar em Miami e de Eduardo Bolsonaro ter dito, no dia 23, que o irmão deveria fugir se perdesse a eleição.
Bolsonaro fugiu pouco mais de 24 horas após perder a eleição presidencial no domingo. O presidente Lula foi reeleito com 64,2 milhões de votos, 51,79% dos válidos, contra 59,8 milhões de Bolsonaro, equivalentes a 48,21% dos votos válidos. No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio havia terminado à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
Em vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira, após a ordem de apreensão de seus passaportes, Bolsonaro afirmou que não pretendia deixar o país. Na manhã desta terça, o senador Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte, que coordenou a campanha de Flávio, negou que ele tenha saído do Brasil.