A base do governo no Senado não conseguiu reunir as 27 assinaturas necessárias para apresentar um requerimento capaz de acelerar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1. O plano era protocolar o pedido nesta quinta-feira (08), na terceira sessão de discussão da proposta em plenário.

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão, do PT de Pernambuco, disse ao Bastidor que a nova previsão é apresentar o requerimento na próxima semana. Segundo ela, a coleta das assinaturas avança, ainda que sem o número mínimo.

O requerimento pede um calendário especial para a matéria. É a única forma de o governo concluir a votação antes de 25 de outubro, data do segundo turno da eleição presidencial. Pelo rito regimental, uma PEC passa por cinco sessões de discussão antes do primeiro turno, cumpre um intervalo de cinco dias úteis e passa por mais três sessões antes do segundo turno. Nesse ritmo, a votação final fica para depois da eleição.

O requerimento permite encurtar esses prazos. Um primeiro pedido, da senadora Eliziane Gama, do PT do Maranhão, foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, em 2 de setembro, junto com a PEC. Para ter efeito no plenário, porém, é necessário um segundo requerimento, com nova coleta de assinaturas. É esse pedido que ainda não chegou à Mesa.

Para destravar a coleta, o senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, tem telefonado a senadores de alas mais moderadas da oposição, inclusive do PL, e pedido que que apoiem a votação da proposta.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também tem ligado para colegas em busca de votos favoráveis. A motivação, no entanto, não é ajudar o governo. Senadores ouvidos afirmam que Alcolumbre está incomodado com a rejeição ao seu nome e vê na aprovação da PEC uma forma de recuperar sua imagem. No domingo, seu grupo político perdeu no Amapá as disputas pelo governo do estado e pelas duas vagas no Senado.

A oposição, por sua vez, aposta na abstenção. Uma PEC precisa de 49 votos favoráveis entre os 81 senadores em cada um dos dois turnos. O senador que se abstém não entra nessa conta, o que na prática tem o mesmo efeito de um voto contrário. A diferença é que seu nome não aparece no painel, mostrando que votou contra uma proposta de apelo popular.

Com o requerimento adiado, o governo perde dias de uma janela que já era curta. Cada sessão de discussão realizada sem o calendário especial aprovado é uma sessão a menos para votar os dois turnos antes da eleição.