O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, telefonou a senadores para pedir votos a favor da Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1. As ligações começaram nesta semana, quando a PEC entrou na pauta do plenário, dois dias depois do primeiro turno das eleições.

A motivação, no entanto, não é um acordo com o governo Lula. Senadores procurados afirmam que Alcolumbre está incomodado com a rejeição ao seu nome e vê na aprovação da PEC uma forma de reverter esse quadro. O grupo de Alcolumbre foi derrotado em seu estado, o Amapá, nas disputas pelo governo e pelas duas vagas no Senado. A PEC tem apelo popular: pesquisa feita pelo Datafolha em maio mostrou que 71% dos brasileiros aprovam a proposta. Mesmo assim, Alcolumbre manteve a PEC parada entre maio e agosto, quando estava brigado com o presidente Lula.

Na sessão desta quarta-feira (7), Alcolumbre interrompeu os trabalhos para dizer a um grupo de senadores que o cercava que a PEC será votada. Ele conversou com a líder do governo no Senado, Teresa Leitão, do PT, e com senadores da oposição. Os oposicionistas pediam que a análise ficasse para outro momento, e os governistas cobravam votação com urgência. Alcolumbre respondeu que levará o texto a voto, independentemente dos pedidos.

Antes da sessão, em entrevista, Alcolumbre afirmou que o ritmo da votação depende dos senadores. Disse que não tem em mãos nenhum requerimento de calendário especial nem de quebra de interstício, o intervalo regimental entre os dois turnos de votação, e que colocará em deliberação qualquer pedido que chegar à Mesa.

Na mesma entrevista, Alcolumbre explicou por que a PEC não foi votada antes do primeiro turno. Segundo ele, atendeu a colegas que viam risco de o tema dominar a disputa pelas vagas no Senado e reduzi-la a uma única pauta. O combinado, disse, era levar a proposta ao plenário só depois de 4 de outubro, e isso foi cumprido.

A oposição, por sua vez, trabalha para atrasar a votação. A orientação aos senadores do bloco é se abster e apresentar emendas. A abstenção tem efeito prático. Uma PEC precisa de 49 votos favoráveis dos 81 senadores em cada um dos dois turnos. Quem se abstém não soma para esse total, o que equivale a votar contra sem registrar o voto contrário no painel. As emendas obrigam a proposta a voltar à Comissão de Constituição e Justiça, a CCJ, para parecer antes da votação.

A oposição também cobra que Alcolumbre siga o rito regimental completo: cinco sessões de discussão antes do primeiro turno, três antes do segundo e intervalo de cinco dias úteis entre as duas votações. O regimento, porém, permite que esses prazos sejam suprimidos.

Para isso, o calendário especial exige dois requerimentos. O primeiro, da senadora Eliziane Gama, do PT do Maranhão, foi aprovado na CCJ em 2 de setembro, junto com a PEC. Para valer no plenário, porém, é preciso um segundo pedido, com nova coleta de assinaturas. Esse segundo requerimento ainda não chegou à Mesa, e é por isso que Alcolumbre diz não ter nenhum em mãos.

A coleta das assinaturas está a cargo de Teresa Leitão. Sem a aprovação desse requerimento em plenário, não há tempo para concluir a votação antes do segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro.