A direita terá 132 das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados a partir de fevereiro de 2027, 28 a mais do que hoje. O bloco reúne PL, Novo e Missão. O Centrão, que inclui União Brasil, PP, PSD, Republicanos e MDB, cai de 265 para 246 deputados. A esquerda, formada por PT e partidos aliados do governo, fica com 124. A federação de PSDB e Cidadania completa a composição, com 11.

O Partido Liberal elegeu 121 deputados, a maior bancada de um único partido desde 1990. Hoje, tem 98. O crescimento passou por Minas Gerais, onde o PL ficou com 21 das 53 vagas, dez a mais que em 2022, graças ao desempenho de Nikolas Ferreira, reeleito com 3,1 milhões de votos, a maior votação da história para o cargo. Lucas Pavanato, do PL de São Paulo, teve a segunda maior votação, com cerca de 3 milhões. Ainda na direita, o Novo dobrou a bancada de cinco para dez deputados.

No Centrão, a federação de União Brasil e PP foi a que mais perdeu: elegeu 87 deputados, 11 a menos que hoje. PSD, Republicanos e MDB também encolheram.

No total, a esquerda terá 124 deputados. A federação de PT, PCdoB e PV cresceu e será a segunda maior bancada da Casa, com 88 deputados, enquanto PSB, PDT e a federação de PSOL e Rede perderam cadeiras.

A federação de PSOL e Rede ficou abaixo da cláusula de desempenho, segundo cálculo da cientista política Lara Mesquita com base nos dados do Tribunal Superior Eeleitoral. A coligação teve votos suficientes no total, mas concentrados em poucos estados. A lei exige que um partido ou federação tenha um número mínimo de votos em ao menos nove estados. A federação atingiu este mínimo em oito estados: faltaram 186 votos para atingir a marca no Espírito Santo. Com isso, a federação PSOL e Rede perde o fundo partidário e o tempo de rádio e televisão.

A direita cresceu sobre o Centrão, não sobre a esquerda, que manteve praticamente o mesmo tamanho de 2022. Sozinha, a direita não tem maioria e depende do Centrão para aprovar projetos. Mas, somados, Centrão e direita atingem 303 deputados, quase 60% da Câmara.

Com a maior bancada, o PL entra na disputa pela presidência da Câmara e pelas comissões com a maior cota de cargos. No Senado, a direita também terá a maior bancada, mas igualmente depende do Centrão para formar maioria.