O Conselho Superior do Ministério Público Federal rejeitou nesta sexta-feira (25), por 5 votos a 4, o pedido de abertura de investigação criminal contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por sua relação com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Em outra votação, o colegiado não conheceu, por unanimidade, o pedido para afastá-lo dos casos do Master em andamento no STF, por entender que a suspeição do procurador-geral da República deve ser discutida nos autos do próprio Supremo.
A votação sobre a investigação chegou a empatar em 4 a 4 e foi decidida pelo vice-presidente do conselho, Nicolao Dino, irmão do ministro do STF, Flávio Dino. Nicolao Dino conduziu a sessão porque Gonet, presidente do colegiado, ficou fora por ser o alvo da representação.
Dino se somou ao relator, Francisco Sanseverino, e aos conselheiros Celso de Albuquerque, Alexandre Camanho e Hindemburgo Chateaubriand. Ficaram vencidos Janice Ascari, Samantha Chantal, Ana Borges Santos e José Adônis, que queriam entregar a um subprocurador-geral a tarefa de levantar informações sobre a conduta do procurador-geral da República antes de qualquer decisão para investigá-lo.
Relator do caso, Sanseverino votou por negar a abertura de investigação de Gonet. Disse que a agenda do celular de Vorcaro não guardava o número de Gonet e a PF não achou uma conversa entre os dois. Sustentou ainda que as mensagens não podem ser lidas “de forma isolada e/ou descontextualizada”.
As mensagens constam no relatório da PF encomendado pelo ministro André Mendonça e tornado público em 1º de setembro. Nelas, o advogado Ciro Soares, ex-defensor do Master, pede que Vorcaro pague pela ida do filho do procurador-geral a um fórum jurídico em Londres, patrocinado pelo banco. Vorcaro autorizou. Ciro Soares também encaminhou ao banqueiro uma mensagem em que Gonet comentava a degustação de whisky do fórum de 2024: “Oba! Tomara que tenha charuto e Macallan”.
O encontro foi uma degustação do whisky Macallan em um clube de Londres, bancada por Vorcaro, em paralelo ao evento jurídico, em que estiveram os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Em 15 de setembro, no plenário do STF, Gonet afirmou que o único encontro que teve com Vorcaro foi em abril de 2024, “com várias autoridades”, e que a única ligação, intermediada por advogado, foi “brevíssima e banal”.
Porém, três dias depois veio a público uma foto que a PF recuperou do aparelho de Vorcaro, na qual Gonet aparece numa mesa com o banqueiro e mais personagens, com um charuto entre os dedos. Sobre a mesa estão copos de uísque. Ciro Soares enviou a imagem a Vorcaro em 19 de junho de 2025, com a mensagem “PG me mandou”. A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade da foto.