O presidente Lula cobrou nesta quarta-feira (9) a queda do sigilo das investigações sobre o banco Master. Em um post no X, o presidente classificou como urgente a medida, “doa a quem doer”. A manifestação é fruto da insistência de sua equipe de campanha e muda a postura adotada após conversas com três ministros do Supremo e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Lula mudou para o modo sobrevivência.
O post de Lula afirma que “diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”. O texto afirma que o caso deveria seguir o exemplo da Operação Spoofing, conduzida pelo então ministro do STF Ricardo Lewandowski – apesar de a operação não ser um exemplo de transparência. “É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, afirma no final.
Até agora, Lula evitava tratar publicamente do caso Master, pois atendia a apelos de ministros do STF e aliados políticos. Nas últimas semanas, o presidente falou do tema diretamente com ao menos três ministros: Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dino. Também conversou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Combinou que não defenderia Moraes, mas também não criticaria a sua condução do caso. Com a mudança de postura, Lula deixa à deriva Alexandre de Moraes, que manteve contatos com o dono do Master, Daniel Vorcaro, e só tem a perder com a exposição integral da investigação. Abandona também Davi Alcolumbre, também citado em relatório da Polícia Federal sobre o caso Master.
Lula mudou porque o cenário mudou e o obrigou a isso, disse uma fonte ao Bastidor. A publicação partiu de uma sugestão de integrantes da sua campanha e da comunicação do governo diante da melhora do desempenho de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e nos trackings feitos diariamente pelo PT. Em alguns casos, Flávio aparece à frente do petista. O ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, e o presidente do PT, Edinho Silva, convenceram Lula a se pronunciar. Atribuíram o crescimento do oponente à crise no STF e argumentaram que era preciso voltar atrás no acerto feito com os ministros e com Alcolumbre.
No Palácio do Planalto e na campanha, a conclusão é de que o ministro André Mendonça, que afastou Andrei Rodrigues, atua politicamente no período eleitoral. A resposta do ministro Flávio Dino nesta quarta-feira segue essa leitura.