O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, anunciou nesta quinta-feira (3) que vai deixar a sociedade do Instituto Iter, empresa que criou para dar cursos a governos estaduais, prefeituras, tribunais de contas e outros órgãos públicos, e que hoje presta serviços de treinamento e organização de eventos. O instituto arrecadou ao menos 4,8 milhões de reais em contratos públicos no primeiro ano de atividade, segundo o Estadão.

Em nota, Mendonça afirma que cedeu, junto com sua esposa, Janey Mendonça, a totalidade das cotas que os dois tinham na empresa, sem receber nada em troca, e que o Iter será transformado em uma entidade sem fins lucrativos. “O ministro André Mendonça decidiu deixar a sociedade do Instituto Iter, cedendo a totalidade de suas cotas e de sua esposa, sem qualquer contrapartida financeira”, afirma. O texto diz que Mendonça seguirá apenas como professor.

A decisão de Mendonça de deixar o Iter ocorre dois dias depois de o Estadão revelar, na terça-feira (1º), conversas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, ocasião em que Mendonça determinou o levantamento do sigilo da investigação. Na quarta-feira (2), o jornalista Paulo Motoryn revelou que Mendonça recebeu Vorcaro na sede do Iter, em São Paulo, no início de 2025.

Nos registros da época em que o Iter era uma sociedade limitada, a sócia majoritária era a empresa Integre Cursos e Pesquisa em Estado de Direito e Governança, com 77,5% do capital social. Quem assinava por ela, como administradora do Iter, era a própria esposa do ministro, Janey.

Em 2024 ela foi substituída por Victor Godoy Veiga, ex-ministro da Educação no governo Jair Bolsonaro e hoje presidente do instituto. Mas os documentos mostram Godoy, nesse período, como sócio com apenas 7,5% das cotas, sem constar como administrador. Em outubro de 2024, o Iter virou sociedade anônima de capital fechado.

Confira a íntegra da declaração do ministro André Mendonça:

O ministro André Mendonça decidiu deixar a sociedade do Instituto Iter, cedendo a totalidade de suas cotas e de sua esposa, sem qualquer contrapartida financeira.

As cotas, e eventuais valores a elas correspondentes, permanecerão integralmente destinados a fins sociais e educacionais, conforme o ministro já havia decidido e anunciado no início deste ano.

Criado em 2024, o Instituto Iter será transformado em entidade sem fins lucrativos, reforçando sua vocação exclusivamente educacional e social. O ministro jamais auferiu lucro do instituto.

A decisão foi tomada em 2 de setembro de 2026, quando o ministro, em conversa com o presidente do Instituto, Victor Godoy, orientou que se tomassem as providências necessárias nos termos aqui descritos.

Nessas condições, o ministro permanecerá prestando serviços exclusivamente acadêmicos, na qualidade de professor.”