O ex-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, admitiu ter recebido um empréstimo da empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento com Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como um dos principais operadores das fraudes fraudes no INSS, que desviaram cerca de 6,3 bilhões de reais de aposentadorias e pensões de pessoas pobres.

Em nota, Marcola disse que o empréstimo foi pessoal e já foi quitado. “Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal. Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função”, afirmou o ex-auxiliar de Lula.

Marcola não informou o valor da operação. Segundo o Poder360, pessoas familiarizadas com o caso afirmam que as transferências somaram cerca de 80 mil reais, quantia que não foi confirmada oficialmente.

De janeiro de 2023 até o dia 21 de julho, Marcola ocupou a chefia do Gabinete Pessoal da Presidência, um dos cargos de maior confiança do presidente. Sua função no Palácio do Planalto era coordenar a agenda do presidente, controlar o acesso ao gabinete presidencial e fazer a interlocução entre Lula, ministros e aliados – uma posição de grande valor política e econômico. Deixou a função para ser os olhos e ouvidos do presidente Lula na coordenação de sua campanha à reeleição. Marcola acompanha Lula desde 2015, quando começou a trabalhar no Instituto Lula, em São Paulo.

Roberta Luchsinger é investigada pela PF por suspeita de atuar ao lado de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Ela é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, e afirma que o apresentou ao Careca do INSS. Lulinha é investigado pela Polícia Federal em três inquéritos, por suspeita de tráfico de influência – um deles, em favor de uma empresa de Camilo Antunes. Roberta também nega participação em qualquer esquema criminoso.

Em nota, a defesa de Lulinha afirma que a Polícia Federal pratica “pesca probatória” (fishing expedition) nos inquéritos. Afirma que o empresário permanece à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.