O BRB anunciou na madrugada desta terça-feira (4) que pretende processar os ex-diretores do banco, responsáveis pelas fraudes constatadas na operação Compliance Zero, que geraram um prejuízo de, pelo menos, 12 bilhões de reais. A proposta será submetida a uma assembleia geral extraordinária com os acionistas, convocada para o dia 22.
A decisão foi tomada com base na Lei das S.A., que prevê a responsabilização civil de dirigentes de empresas privadas. Conforme a legislação, a entidade prejudicada deve submeter a proposta de ação civil à assembleia de acionistas antes de ingressar com os processos judiciais.
A iniciativa do banco vem antes mesmo da apresentação de algum tipo de ação penal contra os responsáveis pelas fraudes envolvendo o BRB, o Banco Master e a Reag. Nessa esfera, os inquéritos ainda correm no Supremo Tribunal Federal (STF).
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, está preso, suspeito de ter aceitado receber 146,5 milhões de reais em propinapara facilitar as negociações entre o BRB e o Master. Desse montante, pelo menos 74 milhões foram rastreados pelos investigadores, em 6 imóveis de luxo. Atualmente, ele negocia um acordo de delação premiada com a Polícia Federal. Outros ex-gestores também foram alvos de medidas cautelares, mas respondem em liberdade.
O período da assembleia geral também é propício eleitoralmente. A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, é candidata à reeleição. Embora tenha sido vice de Ibaneis Rocha, no período em que as fraudes aconteceram, ela defende que foi sob a própria gestão que a situação do banco se resolveu, sem a liquidação extrajudicial por parte do Banco Central.
O BRB tenta, desde fevereiro, firmar um acordo com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para um empréstimo que irá injetar 6,6 bilhões de reais no banco. Com o impasse, embora já se tenha entrado em agosto, o BRB ainda não apresentou o balanço das contas de 2025, no qual o rombo financeiro deveria ser minuciosamente detalhado.

