Enquanto busca apoio de credores ao seu plano de recuperação extrajudicial, a Oncoclínicas anunciou nesta segunda-feira (3) a venda de um ativo para investidores árabes e o fechamento de um acordo com a Unimed. As duas medidas fazem parte de ações para ajudar na reestruturação de sua dívida de 5,16 bilhões de reais.

Na sexta-feira (31), a companhia formalizou a venda de sua participação na Specialized Medical Treatment Company, joint venture saudita da qual detinha 27,49% do capital, para a Advanced Drug Company for Pharmaceuticals, empresa farmacêutica saudita pertencente ao Al Faisaliah Group.

O valor da operação não foi divulgado. Em comunicado ao mercado, a Oncoclínicas informou que a venda da joint venture “está alinhada às medidas tomadas para a reestruturação da situação financeira da companhia, nos termos do pedido de homologação de plano de recuperação extrajudicial.”

Ainda na sexta, a Oncoclínicas fechou um acordo com a Unimed para encerrar uma cobrança judicial de quase 160 milhões de reais. A cobrança foi apresentada pela Oncoclínicas após a Unimed deixar de pagar parcelas previstas em instrumentos de confissão de dívida.

Pelo acordo, a Unimed vai pagar 90 milhões de reais à Oncoclínicas. A execução judicial será encerrada depois que o acordo for homologado pela Justiça. Na prática, a Oncoclínicas aceitou receber menos para encerrar o litígio e dar maior previsibilidade à recuperação de parte do crédito.

A Oncoclínicas entrou em recuperação extrajudicial em 13 de julho. O processo, porém, vai além da negociação com os credores. A companhia também tenta preservar contratos, retomar uma operação em Recife e impedir que antigos parceiros agravem sua crise.

O pedido foi apresentado com o apoio de credores que representam 37% da dívida incluída no plano. O percentual foi suficiente para iniciar o processo, mas não garante sua homologação. A Oncoclínicas terá 90 dias para obter a adesão de credores que representem mais da metade dos créditos abrangidos.