O ex-secretário-executivo da Secretaria da Comunicação (Secom) do governo federal, Tiago César dos Santos, deixou o posto que ocupava no Palácio do Planalto para trabalhar na campanha à reeleição do presidente Lula. Mesmo assim, manterá o assento de conselheiro na Tupy, metalúrgica controlada pelo BNDES e pela Previ

Santos recebia cerca de 32 mil reais de salário bruto no governo. Recebe 36 mil reais da Tupy na função de conselheiro. Como foi eleito pelos acionistas, não precisa deixar o cargo, apesar de ter saído do governo.

Santos era o segundo nome mais importante da Secom, abaixo apenas do ministro Sidônio Palmeira. Ele e o marqueteiro Raul Rabelo vão dividir as funções que Sidônio teve na campanha de Lula em 2022. O chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, também deixou o cargo para atuar na campanha.

Tiago César Santos foi indicado para a Tupy em dezembro do ano passado, junto com os ministros José Múcio Monteiro (Defesa) e Vinícius Carvalho (CGU). Assumiu as funções em fevereiro, depois da assembleia geral que nomeou os três. Múcio deixou o cargo em junho, alegando questões pessoais, como mostrou o Bastidor. Santos e Carvalho permanecem em seus postos.

A ascensão dos três ao conselho foi contestada por parte dos acionistas. Contudo, como Previ e BNDES detêm 57,7% das ações, barraram qualquer tentativa de impedir os membros do governo de ingressar na empresa, bem como alterações no regimento interno que tentassem, ao menos, dificultar esse tipo de manobra.

A Tupy é uma das principais produtoras de motores a diesel do país. Com sede em Joinville (SC), ficou conhecida principalmente pelos motores MWM, que equiparam caminhonetes de diversas marcas. Hoje, a empresa fabrica majoritariamente motores para caminhões e outras máquinas pesadas.

O Bastidor não conseguiu contato com Tiago Cesar dos Santos para comentar a situação.