A administração judicial da Ambipar reconheceu inconsistências contábeis e que parte dos números apresentados na recuperação judicial é preliminar, gerencial e não foi auditada. Em manifestação protocolada nesta sexta-feira (17), o Gomes de Mattos Advogados Associados e a Carapetcov Administração Judicial, responsáveis por acompanhar a recuperação da companhia, afirmaram que essas informações ainda podem passar por ajustes, validações e reclassificações.
O documento é assinado por Augusto Alves Moreira Neto e Thiago Carapetcov. A ressalva ocorre às vésperas da assembleia em que os credores deverão decidir se aprovam ou não o plano de recuperação do grupo. Apesar das dúvidas, a administração judicial se posicionou contra a realização de uma ampla perícia contábil nesse momento.
Segundo os administradores, a medida atrasaria o processo e poderia comprometer a deliberação dos credores. A manifestação sustenta que caberá aos bancos, investidores e fornecedores avaliar, durante a assembleia, se os dados apresentados pela Ambipar são suficientes e confiáveis.
A reunião está prevista para a primeira quinzena de agosto e deverá analisar o plano apresentado pela companhia para renegociar uma dívida declarada de 10,48 bilhões de reais. A recuperação judicial foi aceita pela 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro em outubro do ano passado. A proposta de reestruturação foi entregue à Justiça em dezembro.
As dúvidas não se limitam à ausência de auditoria sobre parte das informações. A administração judicial informou ter localizado apenas extratos bancários e documentos financeiros pontuais. Outros materiais solicitados pelos credores, como extratos completos de todas as contas, relatórios de auditoria, papéis de trabalho, respostas de circularização e informações detalhadas sobre os controles internos ainda dependem de apresentação ou de esclarecimentos da Ambipar.
A própria companhia acumula atrasos na divulgação de seus resultados. Em maio, informou à Comissão de Valores Mobiliários que ainda trabalhava para concluir as demonstrações financeiras de 2025, além dos balanços do terceiro trimestre de 2025 e do primeiro trimestre deste ano. A Ambipar atribuiu o atraso aos impactos da recuperação judicial sobre a apuração das informações financeiras e contábeis.
A administração judicial afirma que as inconsistências não demonstram, por si só, uma omissão generalizada de documentos. Ainda assim, sugeriu que a empresa seja obrigada a informar, de forma organizada, quais materiais solicitados pelos credores foram entregues, quais precisam ser atualizados, quais não existem e quais não estão disponíveis.
Com isso, os credores poderão ser chamados a votar o plano sem uma perícia independente e abrangente sobre as contas que sustentam a proposta de recuperação.

