O Tribunal de Contas do Estado do Paraná, o TCE-PR, apura o uso de um comando oculto de inteligência artificial numa petição do deputado estadual Arilson Chiorato, presidente do PT no estado. O texto, escrito em fonte branca e tamanho reduzido dentro do documento, tentava fazer com que sistemas de IA classificassem o pedido como urgência máxima e o encaminhassem a dois conselheiros específicos, Fábio Camargo e Maurício Requião de Mello e Silva.
A ação de Arilson questiona a implantação do Olho Vivo, programa do governo do Paraná de monitoramento por câmeras inteligentes com reconhecimento de placas e cruzamento de dados. O deputado aponta indícios de sobrepreço na contratação, ausência de licitação, exposição de dados pessoais e violação à Lei Geral de Proteção de Dados.
A manobra, contudo, não funcionou. O processo foi distribuído por sorteio eletrônico ao conselheiro Fernando Guimarães, sem qualquer direcionamento. O caso foi revelado pela Folha de S.Paulo.
O que passou despercebido foi que a opção pelo conselheiro Maurício Requião não foi aleatória. Ele é tio de Requião Filho, deputado estadual e pré-candidato do PDT ao governo do Paraná, com apoio do PT. Maurício e Roberto Requião, pai de Requião Filho, são irmãos.
Maurício é conselheiro desde 2008, quando foi indicado ao cargo pelo próprio irmão, então governador. A nomeação foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal por suspeita de nepotismo e só foi restabelecida, em definitivo, pelo Superior Tribunal de Justiça em 2022.
Em nota à imprensa, Arilson negou ter qualquer conhecimento sobre o comando oculto inserido na petição enviada ao TCE-PR. Segundo ele, o processo não foi manipulado, contém denúncias robustas e nenhuma medida cautelar foi concedida até o momento.
O deputado estadual é aliado de Gleisi Hoffmann, pré-candidata do PT ao Senado no Paraná: foi assessor em seu gabinete no Senado.

