A Vale ameaçou processar, inclusive na esfera criminal, o ex-vice-presidente de seu conselho de administração Marcelo Gasparino. O comunicado foi divulgado nesta sexta-feira (9), quatro horas e seis minutos depois do Bastidor procurar a mineradora para comentar documentos que mostram a interferência do governo Lula na troca do comando do conselho.

A Vale não respondeu aos questionamentos da reportagem. Por e-mail, limitou-se a dizer que não tinha comentários a fazer além dos comunicados anteriores. Horas depois, divulgou a nota, sem tratar das evidências apresentadas pelo Bastidor.

A reportagem revelou um e-mail do gabinete do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pedindo uma reunião urgente com os conselheiros, registros de ligações telefônicas e uma minuta de contrato de indenização negociado antes da renúncia do então presidente do conselho, Daniel Stieler.

No comunicado, a Vale voltou a acusar Gasparino de vazar informações confidenciais de uma reunião do conselho realizada em junho. A mineradora afirmou ter enviado uma notificação extrajudicial para exigir que ele interrompa manifestações públicas consideradas falsas e difamatórias. Também anunciou que buscará sua responsabilização nas esferas cível e criminal.

A companhia atualizou ainda o item 7.8 de seu Formulário de Referência, documento entregue à Comissão de Valores Mobiliários, a CVM. Acrescentou uma seção com sua versão sobre a crise no conselho, desde o pedido da Previ para destituir Stieler até a investigação interna que resultou na decisão de afastar Gasparino.

O texto detalha os procedimentos da investigação, informa que a destituição foi aprovada por dez votos, com uma abstenção, e registra a abertura de um processo administrativo na CVM para apurar a conduta do ex-conselheiro.

A atualização não responde aos questionamentos levantados pela Bastidor sobre a atuação do governo na sucessão de Stieler nem sobre as circunstâncias da negociação de sua saída.

Leia a íntegra do comunicado da Vale: