A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) o deputado estadual Marcio Canella, do União Brasil, segundo mais votado do Rio de Janeiro, e o delegado da Polícia Civil Marcus Amim, ex-secretário secretário de Polícia Civil e ex-chefe do Detran. Segundo a PF, Canella recebeu recursos de um esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado, montado em postos de combustíveis da região metropolitana do Rio. Segundo a investigação, Amim era sócio oculto de postos e atuava como “operador institucional e garantidor de blindagem policial ao grupo”.

As prisões foram decretadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o STF, na oitava fase da operação Unha e Carne. Moraes também determinou as prisões dos policiais civis Pablo Jukiá Felix Ferreira, o Pablo Russo, José Carlos Alves de Souza Júnior, Christiano Gaspar Fernandes e Giovanni Gaspar Fernandes.

Segundo a PF, Pablo Russo controlava de fato uma rede de postos registrada em nome de terceiros, Souza Júnior era o gestor financeiro do grupo, e os irmãos Christiano e Giovanni Fernandes eram sócios ocultos de empresas ligadas ao esquema. Os investigados e as empresas movimentaram 7,6 bilhões de reais nos últimos anos, de acordo com a PF. Moraes determinou o bloqueio de 700 milhões de reais dos investigados.

Márcio Canella já havia sido preso na sexta fase da operação, em 7 de julho. Na ocasião, Canella foi alvo de operação de busca e apreensão, mas acabou preso porque os policiais encontraram um fuzil no porta-malas do seu carro. Por causa da prisão, Canella desistiu de ser candidato ao Senado e concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Alerj.

A principal prova apresentada pela PF sobre o esquema são anotações apreendidas na sexta fase da operação, nas casas de Souza Júnior e de Luisi Corrêa Pinho, sócios formais de dezenas de postos de combustíveis do grupo. Os papéis registram pagamentos dos postos a “Canela” e a “Amim”. As anotações também citam o delegado Glaucio Paz da Silva como destinatário de 50 mil reais. Glaucio foi quem sucedeu Amim no comando do Detran em novembro de 2023. Ele alvo de buscas nessa fase.

Moraes afastou do cargo o escrivão da PF Fabio Henrique Ferreira dos Santos, lotado na unidade que investiga o grupo. Segundo a PF, o contato de Santos estava salvo no celular de Pablo Russo como “Fabio Federal Ferreira”, e registros telefônicos mostram que os dois se falaram na véspera da sexta fase da operação, da qual Pablo Russo era alvo.

Procurada, a defesa de Canella não se manifestou. O Bastidor tenta contato com os outros investigados.

Leia a íntegra da decisão do ministro Alexandre de Moraes: