A mudança de posição do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, a respeito da Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1 contraria a postura do coordenador de sua campanha, senador Rogério Marinho. Líder da oposição no Senado, Marinho é o parlamentar mais resistente à aprovação da medida, apesar da posição favorável das bancadas de PL, Republicanos, Novo e PP.

Bolsonaro anunciou nesta terça-feira (13) que votará a favor da PEC, por entender que essa é a vontade da maioria dos trabalhadores. O cálculo é eleitoral: o candidato foi convencido de que a pauta tem apelo e ficar contra seria arriscar perder votos a duas semanas do segundo turno.

Senadores da oposição reuniram-se ao menos duas vezes na semana passada para discutir a questão. A maioria classificou a PEC como oportunista, mas posicionou-se favoravelmente devido à discussão se dar em meio ao processo eleitoral.

Marinho foi voz isolada. Em xxxx, ele apresentou um projeto paralelo que institui o trabalho por hora – que, na prática, anula os efeitos da redução da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso. Marinho chamou a posição dos demais senadores de “tiro no pé” e trabalhou para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, adiasse a discussão. Não surtiu efeito. Como mostrou o Bastidor, Alcolumbre não só defende a pauta, como ligou para parlamentares em busca de votos favoráveis.

A insistência de Marinho contra a PEC irritou parlamentares da oposição e dirigentes do PL, como Valdemar Costa Neto.  Chegaram a acusar Marinho de ter uma agenda própria que não a eleição de Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro visitou o pai, Jair, nesta terça. Foi após o encontro que anunciou o voto a favor da PEC. O texto será votado, em primeiro turno, na quarta-feira (14).