Flávio Bolsonaro chega ao primeiro turno no melhor momento de sua campanha. As últimas pesquisas Datafolha e Quaest, divulgadas neste sábado (3), mostram o senador do PL crescendo sobre os eleitores dos candidatos menores e empatado com Lula no segundo turno. O presidente parou de subir.
Na Quaest, Flávio foi de 34% para 38% dos votos totais em cinco dias. Lula oscilou de 39% para 40%. Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo), somados, perderam três pontos. No Datafolha, Flávio passou de 38% para 40% desde quinta-feira (1º). Lula ficou nos mesmos 42%.
É o desenho do voto útil. Em setembro, os levantamentos internos do PT já captavam esse movimento. O temor da campanha era a migração dos eleitores de Cury, Caiado e Zema para o senador na reta final. As pesquisas de véspera indicam que ela começou.
As duas pesquisas foram feitas na sexta (2) e no sábado (3), depois que a Globo cancelou o último debate do primeiro turno. Lula e Flávio se acusaram mutuamente de fugir do confronto.
Sem vitória no domingo
Em votos válidos, Lula tem 45% no Datafolha e 46% na Quaest. Flávio tem 42% e 45%. Os dois institutos registram empate técnico e apontam segundo turno. Para vencer neste domingo (4), Lula precisa de mais da metade dos votos válidos. Está a quatro ou cinco pontos disso.
Na simulação de segundo turno, o Datafolha dá 47% a Lula e 46% a Flávio. Na quinta, eram 48% a 45%. Na Quaest, Flávio passou à frente numericamente: tem 44%, contra 42% de Lula. Na rodada anterior, de 28 de setembro, os dois empatavam com 42%.
A reserva pende para Flávio
A Quaest perguntou aos eleitores dos candidatos menores em quem votam num segundo turno. Entre os de Renan Santos (Missão), 60% escolhem Flávio e 11%, Lula. Entre os de Caiado, 43% e 19%. Entre os de Cury, 34% e 23%. Os votos que restam fora da polarização tendem ao senador.
Outros dois números da Quaest ajudam Flávio. A desaprovação do governo Lula se manteve em 49%, contra 44% de aprovação. O medo da volta dos Bolsonaro ao poder caiu de 43% para 40%. O medo da reeleição de Lula ficou em 43%.
O Sudeste virou
O Datafolha mostra onde cada um se sustenta. Flávio lidera no Sul, por 51% a 30%, e na classe média que ganha de dois a cinco salários mínimos, por 47% a 35%. No Sudeste, que reúne 42% do eleitorado, ele virou: tem 42%, contra 38% de Lula. Na quinta, Lula tinha vantagem numérica na região.
Lula mantém o Nordeste, por 59% a 28%, e os eleitores menos escolarizados, por 56% a 28%. O problema do PT está nesse segundo grupo. É onde se concentra a abstenção, que passou um pouco de 20% em 2022.
A Quaest estima os votos válidos com base no perfil de comparecimento dos eleitores, dando mais peso aos mais propensos a votar. Nesse modelo, Lula tem um ponto de vantagem. No Datafolha, que exclui apenas brancos, nulos e indecisos, tem três.
Lula chega ao domingo à frente, mas parado. Flávio chega atrás, mas crescendo, e com a reserva de votos do segundo turno a seu favor.