Beneficiado diretamente pelas decisões do ministro André Mendonça na disputa com o colega Alexandre de Moraes, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, vai deixar a tarefa de defender e apoiar atos de Mendonça aos parlamentares da oposição. A ideia é que Flávio evite o desgaste de entrar na discussão e colha apenas as benesses.
A tarefa de Flávio, de acordo com integrantes de sua campanha, será atrelar a imagem de Alexandre de Moraes à de Lula. A frase que resume a aposta de Flávio já circula: quem vota em Lula, vota em Moraes. Se Lula for reeleito, vai indicar mais quatro ministros ao Supremo nos próximos anos, o bastante, na conta de Flávio, para manter o que chamam de “modelo Moraes” na Corte.
É esse discurso que Flávio deve repetir em entrevistas e atos pelo resto da campanha, tentando fazer a eleição de 2026 parecer maior do que uma disputa entre dois nomes para a Presidência, e sim um referendo sobre o futuro do Supremo.
O caso mais recente em que essa lógica aparece é o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por Mendonça, sob suspeita de investigá-lo sem autorização. Em publicação nas redes, Flávio chamou o diretor-geral da PF de “aliado de Lula” e o acusou de comandar um “grupo especial” dentro da corporação para investigar clandestinamente um ministro do Supremo, numa tentativa de estender ao comando da própria PF a mesma acusação que já faz contra Moraes.
O PL, partido de Flávio, vai dizer que quem persegue é Moraes, não Mendonça. O objetivo é tornar o caso mais um capítulo do embate entre o Supremo e o bolsonarismo, repetindo o roteiro que o partido já usou em outras disputas envolvendo aliados investigados.
A ideia foi colocada em prática nos atos de 7 de Setembro em apoio a Flávio em sete capitais. Em São Paulo, Flávio atacou Moraes de frente, chamando-o de “laranja podre”, mas evitou puxar a Corte inteira para o ataque, poupando Mendonça.