Em um relatório encomendado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e revelado nesta terça-feira (01), a Polícia Federal reúne evidências de que o relacionamento do ministro Alexandre de Moraes, também do Supremo, com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, era mais extenso e profundo do que se sabia.

O trabalho da PF mostra mensagens frequentes, trocadas entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025, data da primeira prisão de Vorcaro. Vorcaro pedia conselhos sobre como se defender das investidas do Banco Central, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal e pedia a interferência do ministro em seu favor. O caso foi revelado pelo Metrópoles.

É a primeira vez que uma investigação policial mostra um ministro do Supremo Tribunal Federal em uma relação tão próxima com o protagonista de um caso de corrupção, justamente no período em que ele está sob coerção das autoridades e prestes a ser preso.

As mensagens mostram também que o relacionamento comercial da família de Moraes com o Master foi maior. O escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci, esposa do ministro, teve um segundo contrato, de 50 milhões de reais, com a Viking, empresa do grupo Master. Até hoje, sabia-se apenas do contrato de 131 milhões de reais do banco com o escritório. Peritos da PF descobriram que o próprio ministro Alexandre de Moraes revisou e editou o contrato de 131 milhões de reais assinado entre o Master e o escritório Barci de Moraes.

As mensagens descobertas pelos peritos da Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro mostram que ele pediu a Moraes que atuasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter as investidas contra ele e o Banco Master.

Em nota, o escritório Barci de Moraes afirma que seu compliance consultou o ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia-diretora, sobre eventuais impedimentos para o contrato com o Banco Master. “Em virtude da abrangência do pedido de contratação de prestação de serviços advocatícios pelo Banco Master ao BARCI DE MORAES, o setor de compliance do escritório, como faz em outros casos semelhantes, solicitou informações ao Ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia diretora do referido escritório, sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual, tais como ações no STF sobre sua relatoria ou mesmo participação em julgamentos de interesse do possível cliente. Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o Ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados”.

Procurados, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestaram. A assessoria de imprensa do STF, procurada em nome do ministro Alexandre de Moraes, também não respondeu.