A Polícia Federal indiciou o empresário José Marcos Moura, conhecido como Rei do Lixo, e outras 24 pessoas por peculato, corrupção ativa e passiva, organização criminosa, embaraço à investigação e lavagem de dinheiro. É o primeiro indiciamento da operação Overclean, que investiga um esquema de desvios de emendas parlamentares em munícipios da Bahia.
A PF também indiciou Lucas Maciel Lobão Vieira e Rafael Guimarães de Carvalho, ex-coordenadores do DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas) na Bahia, suspeitos de atuar junto a empresários, como Fábio e Alex Parente, que firmavam contratos com prefeituras.
A investigação aponta que o grupo movimentou 1,4 bilhão de reais em contratos fraudulentos e obras superfaturadas do DNOCS e da Codevasf, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba. O caso segue para análise da Procuradoria-Geral da República.
No Supremo, o inquérito é conduzido pelo ministro Kassio Nunes Marques. O caso foi parar no STF após a PF encontrar uma transação imobiliária entre Marcos Moura e o deputado federal Elmar Nascimento, do União Brasil.
A influência de Moura foi revelada pelo Bastidor em 2022. Moura é amigo de longa data do vice-presidente do União Brasil, ACM Neto, e o vínculo se fortaleceu no tempo em que este era prefeito de Salvador. Na capital, o contrato é de 174 milhões de reais. Na campanha eleitoral de 2022, Neto viajou em um avião particular de Moura.
Em novembro de 2024, Moura passou nove dias preso, o que gerou tensão em Brasília por suas conexões com emendas e parlamentares. Vem destas conexões a convicção exibida por Moura, e pelos outros 16 detidos, de que seriam soltos em breve, como diziam a todos que os visitavam. Acabaram libertados em 19 de dezembro por uma decisão da desembargadora Daniele Maranhão, do TRF1.
Procurada, a defesa de Marcos Moura disse que não vai se manifestar.

