Qualquer ato de Donald Trump tem de ser levado com cautela, dado seu caráter imprevisível e sua mutação constante de ideias e posturas. Mesmo assim, a conversa do presidente dos Estados Unidos com o presidente Lula, nesta segunda-feira, é um avanço diante dos padrões incivilizados de diplomacia que vigoravam desde o ano passado.

Três são os pontos positivos:

  • Não se falou no ex-presidente Jair Bolsonaro durante a conversa de 30 minutos entre Lula e Trump. É cedo para dizer que Trump esqueceu Bolsonaro, o motivador do tarifaço e das sanções aos ministros do Supremo Tribunal Federal. Mas há um mês seria impensável não apenas que os dois presidentes conversassem, como que Trump não fizesse exigências a Lula em relação a Bolsonaro. A situação do ex-presidente pode não ser mais um obstáculo intransponível.
  • Trump nomeou o secretário de Estado, Marco Rubio, para negociar com o Brasil. Este é o principal avanço. Até a semana passada, só quem tinha acesso à Casa Branca era o deputado Eduardo Bolsonaro e seu assessor, o blogueiro Paulo Figueiredo, que fizeram lobby pelo tarifaço. Nem diplomatas do Itamaraty conseguiam falar com autoridades americanas. Lula indicou como negociadores o vice-presidente, Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
  • Ficou acertado que os dois presidentes se encontrarão pessoalmente. A hipótese mais provável é que isso aconteça entre os dias 26 e 28, na cúpula Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), na Malásia.

Em um mundo normal, tudo que aconteceu nesta segunda-feira deveria ter acontecido no final do ano passado, depois que Trump tomou posse. Seria a rotina normal das relações entre Brasil e Estados Unidos. Não aconteceu devido ao modo Trump de ser. Dessa forma, quando Trump muda e age dentro dos padrões de um chefe de estado usual, as coisas parecem melhores.   

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