A Polícia Federal realizou nesta segunda-feira (19) buscas contra Humberto Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do Superior Tribunal de Justiça, o STJ, por suspeita de vazamento de informações de processos para o advogado Willer Tomaz, amigo do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.

Pradera havia sido exonerado do cargo na sexta-feira (16) por determinação do presidente do STJ, ministro Luis Felipe Salomão, e responde a um procedimento interno na corte para apurar as suspeitas de vazamento.

A operação da PF foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso. São investigadas suspeitas de crimes de violação de sigilo funcional, peculato eletrônico, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Em mensagens interceptadas pela PF, Pradera mantém Willer informado sobre o andamento de processos de seu interesse. Em um dos episódios, Pradera encaminhou para o advogado uma fotografia de um documento exibido na tela de um computador, com um carimbo sobre a mesa.

Segundo o Uol, em um caso julgado em setembro, em que Willer defende as construtoras Attos Empreendimentos Imobiliários e HC Incorporadora, ele recebeu a minuta de um acórdão em 16 de setembro, dois dias antes da assinatura. O processo trata do terreno da antiga Academia de Tênis, em Brasília. O STJ determinou que uma família de herdeiros tem direito a receber valores, numa disputa de mais de 176 milhões de reais.

Ainda segundo a reportagem, em sete casos, a PF suspeita que o procurador aposentado Antônio Carlos Simões Soares antecipou e moldou pareceres do Ministério Público Federal em favor de Willer. O material foi enviado ao MPF para avaliação sobre o foro.

No dia 4 de agosto, Willer Tomaz foi alvo de busca e apreensão em uma fase da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que investiga desvios em aposentadorias do INSS. Segundo a PF, Willer atuava como um “hub financeiro, patrimonial e logístico” do esquema, que possibilitava a ocultação de valores por meio de imóveis e aeronaves.

Procurado, Willer Tomaz afirmou que não teve acesso ao inquérito e só tomou conhecimento pela imprensa. Disse causar estranheza que documentos da investigação sejam divulgados a seis dias do segundo turno. Clique aqui para ler a íntegra.