O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou à Polícia Federal que cobrou de Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, servidores da área de supervisão bancária, relatórios sobre o Banco Master que deveriam ser enviados ao Ministério Público Federal. Segundo ele, as reuniões com os dois eram tensas e houve “demora injustificada” deles na condução da fiscalização do banco.
Galípolo depôs na terça-feira (6), na condição de testemunha, no inquérito que investiga as fraudes do Banco Master. Ele rebateu a versão de Souza, segundo a qual teria sido o próprio presidente do BC quem retardou o envio do relatório. Galípolo afirmou que ocorreu o inverso.
A PF encontrou indícios de que Souza e Santana receberam propina de Daniel Vorcaro para trabalhar em favor do Master dentro do Banco Central. Segundo a PF, Souza e Santana repassavam a Vorcaro informações internas sensíveis, algumas sigilosas, orientavam estratégias e revisavam minutas de documentos que o Master enviaria ao Banco Central e ao Fundo Garantidor de Créditos, o FGC.
Galípolo descreveu à PF que as reuniões com os dois servidores ocorriam em “clima de tensão” e eram repletas de palavrões ditos por ele. Disse também que exigiu acesso aos fluxos das carteiras que o Master vendeu ao Banco de Brasília, o BRB, e que os servidores não entregaram o material. O presidente do BC afirmou que foi preciso criar uma nova equipe de auditoria para as investigações internas avançarem.
Galípolo afirmou que Souza sustentava que os documentos entregues por Vorcaro bastavam para explicar a situação do Master. Segundo o presidente do BC, Paulo Sérgio insistia em produzir documentos fora de sua competência, em defesa da compra do Master pelo BRB, o que “soou como comportamento exótico”.
O Banco Central barrou a compra do Master pelo BRB em setembro de 2025 e liquidou o banco em 18 de novembro de 2025. Na véspera, a PF havia deflagrado a operação Compliance Zero, na qual prendeu Vorcaro.
Em nota, a defesa de Belline afirmou que o depoimento de Galípolo “não apontou qualquer indício concreto de irregularidade no exercício das atribuições funcionais”. A íntegra da nota está disponível aqui. A defesa de Paulo Sérgio Neves de Souza não se manifestou.