O plano de Gilberto Kassab, por muitos considerado um mago da política brasileira, para a eleição de 2026 era que o seu candidato a presidente da República, Ronaldo Caiado, chegasse ao menos a 10% dos votos. Acreditava que o espaço da chamada terceira via fosse ocupado pelo PSD. Não aconteceu.
Com 10% numa eleição polarizada, Kassab julgava que teria poder de barganha para negociar apoio no segundo turno e ocupar espaços relevantes no futuro governo. O principal objetivo era alocar Alexandre Silveira na pasta da Defesa. Caiado, porém, ficou em 5º, com 2,18% dos votos, e o PSD foi o partido que mais perdeu espaço no Congresso: cairá de 14 para 5 senadores e de 48 deputados para 44 no ano que vem.
Sem alianças, sobrou para o próprio Kassab ser vice de Caiado. Não era esse o plano do presidente do PSD. Inicialmente, ele imaginou que pudesse se lançar ao governo de São Paulo, caso Tarcísio de Freitas fosse alçado pelo bolsonarismo à disputa pelo Palácio do Planalto. Depois, tentou ser o vice de Tarcísio, já com planos para sucedê-lo em 2030. Também não conseguiu. Buscou uma proximidade com Jair Bolsonaro em 2025, mas foi insuficiente para ultrapassar a desconfiança que o ex-presidente alimenta.
O PSD declarou que ficará neutro no segundo turno. Na terça-feira (6), Caiado anunciou formalmente o apoio a Flávio Bolsonaro. Desde que criou o PSD, Kassab conquistou respeito político e confiança de aliados por sua capacidade de ler corretamente os cenários eleitorais e as circunstâncias do poder em cada momento. É a primeira vez que seus aliados, dentro e fora da política, expressam sérias dúvidas sobre a inteligência estratégica dele. Quem confiou em Kassab, se estiver eleito, terá no PSD uma casa com menos dinheiro e poder.