À frente da pasta de Minas e Energia desse 2023, Alexandre Silveira é um dos ministros mais importantes de Lula e a âncora do PSD no governo petista. Entrou no ano eleitoral cotado para coordenar a campanha à reeleição. Depois, minguou. De candidato a coordenador de Lula, passou a coordenador em Minas. Nem isso fez. Na reta final, segundo fontes da campanha em Minas, não atendia o celular. Ninguém sabia se ele estava em sua base na Bahia ou em Minas. Pouco participou e pouco ajudou. Na campanha presidencial, foi irrelevante. Em Minas, foi um fantasma.
Na campanha de Patrus Ananias (PT) ao governo do estado, a ausência virou queixa. Um aliado de Patrus reclamou ao Bastidor que o ministro não aparecia nos atos do candidato nem colaborava para puxar votos num estado decisivo para o resultado nacional.
As redes de Silveira confirmam a distância. Desde o lançamento da campanha de Lula, em 16 de agosto, o ministro fez 62 publicações no Instagram. Nenhuma cita Patrus. No X, a única menção ao candidato desde maio é uma mensagem de pêsames pela morte de um irmão dele, em 7 de setembro.
Os poucos registros de Silveira em atos com Patrus na reta final são de agendas montadas para Lula. Em 30 de setembro, o ministro foi a Juiz de Fora para o ato do presidente, que não chegou por causa da chuva. O evento seguiu com Patrus. Em 2 de outubro, acompanhou Lula na caminhada em Belo Horizonte, em carros diferentes.
No final de setembro, o Globo revelou mensagens do celular de Daniel Vorcaro que registram ao menos três encontros entre o ex-banqueiro e o ministro, dois deles na casa de Vorcaro. Numa das mensagens, de agosto de 2025, a governanta avisa que Silveira chegou e “quis ficar na adega para falar ao telefone”. Em nota, o ministro afirmou não ter nenhuma mensagem com Vorcaro e refutou qualquer irregularidade.
Nas urnas, Minas derrotou o candidato de Silveira e o partido dele. Lula perdeu o estado para Flávio Bolsonaro por 48,2% a 43,3% dos votos válidos. Patrus ficou com 26,3%. Cleitinho (Republicanos) se elegeu governador no primeiro turno. O PSD, do qual Silveira é fundador e presidente estadual licenciado, desabou. O governador Mateus Simões, candidato da legenda à reeleição, terminou em quarto, com menos de 5%. O senador Carlos Viana, crítico de Lula a quem Silveira negou apoio em julho, perdeu a vaga. O presidente estadual do partido, Cássio Soares, não se elegeu deputado federal. Na Assembleia, a bancada cai de 14 para nove deputados.
De acordo com uma pessoa próxima a ele, o sumiço de Silveira foi estratégico. O ministro temia ser enredado no escândalo de Vorcaro e em demais investigações em curso no Supremo. Trabalhava discretamente para ser ministro da Defesa num novo mandato de Lula. Ao menos esse era o plano até a derrota do petista no primeiro turno.