A campanha de Lula vai deixar de lado o balanço do governo e passar a atacar Flávio Bolsonaro. A decisão saiu de uma reunião do presidente com ministros, governadores, senadores e deputados na noite de segunda-feira (5). Quatro participantes relataram ao Bastidor as conclusões do encontro. No diagnóstico dos aliados, a crise do Supremo Tribunal Federal interditou o debate sobre propostas e explica o resultado do primeiro turno.
Flávio terminou com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula. A diferença foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos. Os dois se enfrentam de novo em 25 de outubro. O candidato do PL passou setembro explorando a crise no tribunal. No ato de 7 de setembro, na avenida Paulista, prometeu acabar com o que chamou de consórcio entre Lula e o ministro Alexandre de Moraes.
Na reunião, Lula ouviu mais do que falou. A propaganda petista vai trocar as realizações do governo pelo que o presidente promete fazer num novo mandato. A campanha também vai associar Flávio à milícia e comparar a trajetória dos dois candidatos, no que os aliados chamam de CPF contra CPF. A segurança pública será enfatizada. Lula decidiu ir aos principais debates das emissoras de TV. A campanha aposta na rejeição a Flávio, maior que a do petista, segundo as principais pesquisas. O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, disse após a reunião que agora é o momento de desconstruir Flávio.
O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, sugeriu uma comunicação mais jovem nas redes sociais, com o presidente gravando selfies. Nesse caso, Lula recusou. Disse que manterá o formato atual, mais formal.
A conta da virada idealizada pelo PT passa pelo Nordeste. Lula venceu nos nove estados da região, mas teve desempenho inferior ao de 2022. Na Bahia, caiu de 69,73% para 66,17% dos votos válidos. Em Pernambuco, de 65,27% para 63,45%. No Piauí, de 74,25% para 70,99%. A campanha trata os três estados como decisivos.
Os três governadores foram eleitos no primeiro turno. Na Bahia, Jerônimo Rodrigues teve 55,80% dos votos válidos. No Piauí, Fonteles teve 70,90%. Os aliados apostam que, sem a campanha local, Lula recupera os votos perdidos nesses estados e amplia a vantagem sobre Flávio. A avaliação é de que é possível, sem os votos casados do primeiro turno, avançar inclusive sobre eleitores que votaram em Flávio no primeiro turno.
Em Pernambuco, o cenário é outro. Raquel Lyra foi reeleita com 53,27% e derrotou João Campos, o candidato de Lula. No estado, Flávio teve 31,03% dos votos válidos. Os aliados vão insistir para que a governadora declare apoio ao petista.
A abstenção é outra frente. Ao todo, foram 33,5 milhões de eleitores ausentes. A campanha vai montar uma força-tarefa para alcançá-los, em especial no Nordeste.
Estiveram na reunião Rui Costa, Jaques Wagner, Sidônio Palmeira, Edinho Silva, Wellington Dias, Alexandre Silveira, Luiz Marinho e os governadores Jerônimo Rodrigues, Elmano de Freitas e Rafael Fonteles, entre outros. Lula ainda não fechou a agenda do segundo turno. Nos próximos dias, decide quais estados vai visitar.