Em ofício expedido nesta sexta-feira (2), o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, afirma ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que eventuais ligações de ministros do Supremo ao caso Master devem ser apuradas “sem exceção”.
Fachin afirma que dará “os encaminhamentos devidos” às informações sobre integrantes da corte no caso Master assim que receber um relatório em que os fatos estejam apresentados “integralmente, sem exceção de pessoa”.
Como mostrou o Bastidor, nos próximos dias a PF vai entregar a Fachin um relatório com as menções a ministros do Supremo e a parentes deles encontradas na investigação, sem cruzamento de dados ou análise de investigadores.
Fachin abriu na Presidência uma petição sobre a crise e, desde 12 de setembro, é relator da petição sobre Moraes. Mendonça segue como relator do caso Master, mas Fachin está com todos os autos. O presidente tomou a atitude em meio à guerra entre ministros do Supremo. O ofício desta sexta é mais um produto da falta de ritos que marca a crise do Supremo: sua validade não vai além de informar o diretor da PF.
No documento, Fachin usa quatro vezes variações da expressão “sem exceção”. Segundo pessoas a par das investigações, o objetivo do presidente do Supremo é sinalizar que nenhum nome será poupado das investigações. “Tenho a convicção de que a Polícia Judiciária e o Ministério Público, como instituições permanentes de Estado, e não de governo, desempenharão suas atribuições com a independência, a responsabilidade e o rigor que delas se espera. A preservação da confiança pública nas instituições exige que eventuais ilícitos sejam investigados com seriedade, transparência e respeito à ordem constitucional”, afirma Fachin.
Leia o ofício de Fachin: